- A USA Rare Earth anunciou a compra de 100% do grupo brasileiro Serra Verde por cerca de US$ 2,8 bilhões, com pagamento em US$ 300 milhões em dinheiro mais 126,849 milhões de ações da mineradora norte-americana.
- A Serra Verde opera a mina Pela Ema, em Minaçu, Goiás, que extrai quatro terras raras de maior valor: disprósio, térbio, praseodímio e neodímio.
- O acordo prevê preço mínimo e aquisição de toda a produção por quinze anos, reduzindo riscos diante das oscilações de cotação.
- A conclusão da operação está prevista para o terceiro trimestre deste ano, permitindo a verticalização da cadeia na América Latina — da mina ao ímã.
- A transação é vista como avanço estratégico para reduzir a dependência da China e integra esforços dos EUA para criar uma cadeia global confiável de terras raras; as ações da USA Rare Earth subiram cerca de 13% na Nasdaq.
A mineradora estadounidense USA Rare Earth anunciou a compra total da brasileira Serra Verde, operadora da mina Pela Ema em Minaçu, Goiás. O acordo, no valor de US$ 2,8 bilhões, prevê a aquisição da planta de mineração e de beneficiamento de terras raras pesadas críticas (ETRPs) fora da Ásia. A produção envolve quatro elementos de alto valor para tecnologia e energia: disprósio, térbio, praseodímio e neodímio.
A Serra Verde, que hoje destina grande parte da sua produção a clientes chineses, mantém operação na mina Pela Ema desde 2024. A transação ficará a cargo da emissão de ações da USA Rare Earth, no montante de 126,849 milhões de papéis, além de US$ 300 milhões em dinheiro. O acordo estabelece preço mínimo e compra de toda a produção por 15 anos, buscando reduzir impactos das oscilações de cotações.
A conclusão da aquisição está prevista para o terceiro trimestre deste ano, com objetivo de verticalizar a cadeia produtiva na América Latina — da mina ao ímã — e reduzir dependência da China. A Serra Verde afirmou que as operações de mineração e processamento terão papel central na cadeia de suprimentos de terras raras fora da Ásia.
Aquisição e condições
Segundo a empresa brasileira, o negócio reforça o Brasil como ator relevante no setor de minerais críticos e pode ampliar a participação de investidores estrangeiros na região. Ricardo Grossi, diretor de Operações da Serra Verde, avaliou que o acordo tem importância estratégica e projeta o Brasil como líder em cadeias globais de suprimentos de terras raras.
Investidores internacionais reagiram positivamente: as ações da USA Rare Earth tiveram alta de cerca de 13% na Nasdaq.
Contexto e cenários
O anúncio ocorre em meio a ações do governo dos EUA para criar uma cadeia de fornecimento global confiável de terras raras, reduzindo a dependência da produção chinesa, que detém grande parte das reservas globais. Em fevereiro, a Serra Verde recebeu financiamento de US$ 565 milhões do governo americano, via a Cooperação Financeira dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (DFC). Parte do recurso deve ampliar a produção em Minaçu para 2027, atingindo 6,5 toneladas anuais de ETRPs.
A operação integra acordos e cooperações entre Brasil, EUA e países europeus para exploração, refino e gestão ambiental de terras raras. O Brasil figura como segundo maior reserva global, buscando ampliar parcerias que favoreçam a cadeia de suprimentos fora da China.
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