- Mercadona está trocando o modelo de venda de peixe, passando a usar câmaras de autosserviço com o produto já cortado e embalado em bandejas; até 2025, 310 lojas já adotavam o sistema.
- O objetivo é tornar o serviço mais ágil e próximo do consumidor, exigindo adaptação industrial dos fornecedores, com empréstimos próximos de 130 milhões de euros concedidos pela rede.
- Os empréstimos são de longo prazo, com vencimento a partir de 2030, e contribuíram para elevar os saldos de créditos a fornecedores de 41 milhões de euros em 2024 para 171 milhões em 2025.
- Empresas como Profand e Piscifactorías Andaluzas ajudam na melhoria do sortimento e na adaptação ao novo formato; o projeto começou a ser testado em 77 lojas em 2023.
- A transformação da seção de pescados é parte da loja 9, modelo que prevê investimento de 3,1 bilhões de euros até 2033 para reformular a rede de lojas.
Mercadona avança com a mudança no setor de pescados, substituindo pontos de atendimento tradicionais por câmaras de autoatendimento com pescado já cortado e embalado. O modelo visa acelerar o atendimento e melhorar a conservação do produto.
A empresa anunciou que presta quase 130 milhões de euros em empréstimos a fornecedores de produtos do mar para viabilizar a adaptação industrial necessária. A iniciativa faz parte da transição para o novo formato de venda, que já está presente em centenas de lojas.
Essas linhas de crédito aparecem nas contas de Inmo Alameda, o holding controlado por Juan Roig, acionista majoritário da Mercadona. Ao fim de 2025, os saldos de empréstimos a terceiros fornecedores subiram para 171 milhões de euros, ante 41 milhões em 2024.
Detalhes do processo de transformação
Mercadona descreve que o pescado será introduzido em bandejas, com o produto já preparado para consumo. O objetivo é reduzir o tempo entre o peixe sair da água e chegar ao consumidor. O novo sistema exige investimentos em embalagem e cadeia de frio.
O presidente Juan Roig já havia explicado, em março, que a relação com os fornecedores seria semelhante ao que ocorre na carne: boa parte da fabricação ficaria por conta do fornecedor, com apenas alguns itens mantidos nos obradores centrais até que a tecnologia esteja disponível.
Participação de fornecedores e prazos
Entre os fornecedores de referência estão Profand, Mascato, Frime, Congalsa e Japofish. A Mercadona detalha que a participação de cada um varia conforme o tipo de produto e a necessidade de tecnologia de processamento.
Profand, maior fornecedora em volume, encerrou 2025 com recorde de 1,116 bilhão de euros em receitas, 10% a mais, impulsionada pela parceria com a rede. Desde 2019, a empresa dobrou as vendas após adquirir Caladero, ligada ao portfólio de Mercadona.
Rede de abastecimento e presença de mercado
A rede atual já conta com cerca de 310 lojas onde o novo formato está instalado. Em 2023, o modelo começou a ser testado em 77 unidades, com planos de expansão para novas lojas. A mudança é parte da estratégia da chamada “Tienda 9”.
A iniciativa envolve investimentos significativos, estimados em 3,1 bilhões de euros até 2033, para transformar a organização interna e as operações das lojas. A meta é manter a qualidade e a frescura, com serviços mais ágeis aos clientes.
Impacto e próximos passos
Mercadona destaca que a mudança busca ampliar o consumo de pescado por meio de um serviço mais rápido e próximo. A empresa também indica que, até que os fornecedores atinjam a capacidade, alguns itens seguirão sendo preparados nos obradores centrais.
A adaptação envolve cooperação com especialistas do setor, visando ampliar o sortimento e adequar a oferta ao novo formato de venda. O objetivo é manter a qualidade e a segurança dos alimentos ao longo de toda a cadeia.
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