- Em 2025, a Bayer registrou receita global de 45,575 bilhões de euros e sofreu lucro líquido negativo de cerca de 3,6 bilhões de euros, impactado principalmente por custos relacionados a ações judiciais nos Estados Unidos por glifosato.
- A União Europeia proibiu o inseticida Movento em 2025; a Espanha, principal mercado, sentiu o impacto com a queda de vendas.
- Em Espanha, as vendas totalizaram 787 milhões de euros, queda de 4% em relação a 2024; agricultura recuou 20% (para 227 milhões), farmacêutico subiu 2% (para 418 milhões) e autocuidado avançou 13% (para 142 milhões).
- O CEO da Bayer na Espanha, Jordi Sánchez, disse que a empresa analisa o impacto na soberania alimentar e trabalha em alternativas para compensar a perda do Movento, que foi suspenso após a proibição europeia; o produto ainda é utilizado em alguns países fora da União Europeia.
- Na Espanha, o grupo investiu cerca de 145 milhões de euros em 2024 e 2025 (em 2023 foram 154 milhões), mantém cerca de 2.700 funcionários e participa de 41 ensaios clínicos, destacando o papel do país no conjunto da Bayer.
Bayer enfrenta queda de Movento, insecticida multifunción, após veto da União Europeia em 2025. A regra afetou principalmente a Espanha, que era o principal mercado do produto. Mesmo com vendas globais estáveis, a receita na Espanha caiu 4%, para 787 milhões de euros.
O setor agrícola foi o mais impactado, com queda de 20% nas vendas espanholas, totalizando 227 milhões de euros. A empresa informou que está buscando alternativas para compensar a perda, mas destacou a prioridade da soberania alimentar da Europa em meio à incerteza econômica.
Desempenho por áreas no Brasil e na Espanha
O negócio farmacêutico respondeu por 39,1% das vendas totais da Bayer, enquanto o segmento de autocuidado representou 13%. Na Espanha, o peso relativo do farmacêutico é ainda maior, com o autocuidado crescendo 13% e a farmacêutica subindo 2%.
O veto a Movento decorreu da proibição do ingrediente ativo, que expirou em abril de 2024. Houve período de graça até outubro de 2024, quando houve a suspensão de comerciais e uso. A Bayer aponta que a decisão é regulatória e que o produto é considerado seguro, mantendo uso em alguns países fora da UE.
Perspectivas e estratégias
Sem Movento, a empresa trabalha para introduzir várias opções que, em conjunto, substituam a função do produto. A empresa também afirma não prever novas proibições amplas na UE, mas reconhece que eventuais medidas afetariam a soberania alimentar.
Na área farmacêutica, a Bayer prevê efeitos da expiração de patentes sobre o anticoagulante rivaroxabã (Xarelto) e a entrada de genéricos. A companhia aponta produtos em crescimento, como Eylea 8 mg, Nubeqa e Kerendia, para mitigar impactos em oftalmologia, oncologia e cardiovascular.
Investimento e atuação local
Desde 2023, a Bayer intensificou investimentos na Espanha, avançando de 60–70 milhões para 154 milhões em 2023, depois 145 milhões em 2024 e 145 milhões em 2025. A maior parte do montante foi destinada a pesquisa e desenvolvimento, além de manter infraestrutura, como a fábrica na Espanha que produz o princípio ativo da Aspirina.
A presença da empresa na Espanha soma cerca de 2.700 profissionais. A Bayer destaca a participação do país em ensaios clínicos, com 41 estudos ativos, incluindo 10 em fase 1, ressaltando a relevância da Espanha para o grupo.
Contexto externo e planejamento
O impacto da guerra no Oriente Médio sobre a cadeia de suprimentos da Bayer ainda não foi quantificado; no entanto, autoridades citam a necessidade de planos de contingência para manter as cadeias de fornecimento estáveis. Em 2025, a Bayer fechou o ano com receita total de 45,575 bilhões de euros, leve alta, e prejuízo líquido próximo de 3,6 bilhões de euros, principalmente por custos com disputas judiciais nos EUA.
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