- Kevin Warsh, indicado à presidência do Fed, afirmou em audiência no Senado que o banco precisa de reformas políticas fundamentais, incluindo novo regime de inflação, ferramentas e comunicações.
- Ele sinalizou que, se confirmado para suceder Jerome Powell, usaria as ferramentas atuais de forma diferente, sem detalhar medidas, e criticou o fato de o Fed manter previsões por mais tempo do que deveria.
- Warsh recebeu questionamentos de senadora Elizabeth Warren sobre divergências de agenda e respondeu que, se nomeado, venderia investimentos ligados a Jeffrey Epstein caso necessário.
- Em relação às taxas de juros, Warsh disse estar cético sobre a trajetória futura do Fed e destacou a necessidade de esforço nas próximas reuniões, mantendo abertura sobre o tema.
- O presidente Donald Trump manteve críticas a Powell, defendendo cortes de juros e destacando que aumentos para conter a inflação também podem ser eficazes; Warsh afirmou que políticas de curto prazo não devem depender de desejos políticos.
Kevin Warsh, indicado à presidência do Fed, defendeu reformas políticas fundamentais no banco central dos EUA durante audiência no Senado nesta terça-feira, 21. O objetivo é adaptar o regime de inflação, ferramentas e comunicação do Fed. Trump já havia indicado Warsh ao cargo em março, para um mandato de quatro anos.
Warsh afirmou que, se confirmado, usará as ferramentas existentes de forma diferente, sem detalhar as mudanças. Ele afirmou ainda que é preciso mudar o regime da condução da política monetária e criticou a projeção de longo prazo do Fed, dizendo que as previsões ficam vigentes por mais tempo do que o adequado.
Durante o debate, Warsh teve troca acalorada com a senadora Elizabeth Warren. Ela perguntou sobre possíveis divergências na agenda econômica com o presidente, que havia dito que não indicaria alguém com opiniões opostas para o Fed. Warsh também foi questionado sobre investimentos em veículos ligados a Jeffrey Epstein; ele disse que venderia tais bens caso sua nomeação avance.
Ele não fechou a possibilidade de mudanças claras na trajetória das taxas de juros, afirmando ser cético quanto à orientação futura do Fed. O ex-diretor apontou que a política monetária tem defasagens e que futuras reuniões exigirão empenho. Com relação a Trump, Warsh disse que o discurso presidencial tende a favorecer cortes de juros, ainda que o chefe do Executivo externalize esse desejo.
Trump voltou a criticar Powell em entrevista à CNBC, classificando o presidente do Fed como atrasado na condução da política. O republicano disse que as taxas mais baixas seriam ideais para a economia e que se decepcionaria se o novo chair não reduzir as taxas; também reconheceu que aumentos podem combater a inflação em determinadas situações.
Na visão de Warsh, o lado da oferta da economia vem mudando de forma significativa. Ele discordou de a inflação alta ser provocada apenas pelas tarifas da administração atual, ressaltando a importância de entender a taxa de inflação real. O economista destacou que dados sobre inflação são imperfeitos e que a inflação subjacente é o indicador de maior interesse.
Reforma de dados, balanço e IA
Warsh sugeriu que uma das primeiras reformas do Fed seja baseada em dados melhores e que a IA terá impactos sobre empregos e modelos de análise. Ele afirmou que um balanço patrimonial maior dá ao Fed maior influência política, e que, para além da política monetária, é necessário colaborar com o governo.
O ex-diretor enfatizou que reduzir gradualmente o balanço do Fed pode levar a juros mais baixos, inflação menor e economia mais forte. Ele mencionou a possibilidade de trabalhar com o Tesouro para reduzir o balanço e reforçou a necessidade de manter abertura a novos dados para embasar decisões futuras.
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