- Empresas de consumo, viagens e mineração dizem que a guerra no Oriente Médio aumenta custos de transporte e de matérias-primas, ameaçando previsões para o ano.
- AkzoNobel aponta alta de 17% a 19% na cesta de matérias-primas devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, com impactos previstos nos próximos dois trimestres.
- Danone manteve a projeção anual, apesar de interrupções na cadeia de suprimentos e recall de fórmula infantil na Europa.
- TUI cortou a previsão de lucro operacional e suspendeu a projeção de receita, citando visibilidade limitada causada pelo conflito; United Airlines espera lucros abaixo das expectativas e Reckitt alerta para margens menores no primeiro semestre.
- South32 reduziu a previsão da unidade de manganês por fortes chuvas e ciclone Narelle, com pressões de custo de frete e matérias‑primas ampliadas pelo conflito no Oriente Médio.
A guerra no Oriente Médio entre EUA, Israel e Irã elevou custos de transporte e de matérias-primas, pressionando cadeias de suprimentos e a confiança do consumidor. Empresas de bens de consumo, viagens e mineração já indicam impactos nas projeções do ano.
Executivos destacam aumento de custos ligado ao bloqueio do Estreito de Ormuz e à visibilidade reduzida sobre os negócios. Mesmo com algumas revisões, várias companhias mantêm as previsões, mas com ressalvas sobre margens e demanda.
Impacto em custos e cadeia de suprimentos
A AkzoNobel informou que a cesta de matérias-primas deve subir entre 17% e 19% por causa do bloqueio, com efeito sentido nos próximos dois trimestres. A empresa tem maior capacidade de repassar custos por atuar com produtos de marca.
A Danone, apesar de receita de primeira linha superar expectativas no trimestre, viu interrupções na cadeia de suprimentos e recall de fórmula infantil na Europa. Remessas de fórmula importada pelo Oriente Médio também foram afetadas, mantendo a direção inteira otimista quanto ao ano.
Desempenho de clientes e margens
A Reckitt não atingiu expectativas de receita líquida ajustada no negócio principal e previu margens menores no primeiro semestre, citando petróleo mais caro e demanda reduzida por itens de gripe e resfriado. O quadro é repetido entre setores com cadeias globais complexas.
O setor de viagens sofre com combustível caro, tarifas elevadas e menor confiança do consumidor. A TUI reduziu a previsão de Ebit e suspendeu a projeção de receita, citando visibilidade limitada pela guerra. A United Airlines também apontou pressão na demanda, com lucros abaixo de estimativas no segundo trimestre e no ano.
Companhias de recursos naturais e previsões
A mineradora South32 cortou a previsão anual da unidade de manganês na Austrália após chuvas fortes e ciclone, citando impacto dos custos de frete e de matérias-primas devido às tensões geopolíticas. A empresa afirmou medidas para mitigar impactos na cadeia de suprimentos.
Gestores apontam que a situação depende do tempo de duração do conflito e da reabertura total do Estreito de Ormuz, o que poderia aliviar restrições de fornecimento e fretes. A Ormuz movimenta aproximadamente um quinto dos fluxos globais de petróleo e GLP.
Perspectivas corporativas e incertezas
A GE Aerospace destacou que a projeção depende de preços do petróleo acima de patamar atual até o terceiro trimestre, com eventual queda ao longo do ano. A 3M alertou para possível elevação de preços de produtos devido ao custo do petróleo.
Especialistas lembram que, segundo a Reuters, 21 empresas reduziram ou retiraram projeções, 32 sinalizaram aumento de preços e 31 alertaram para impactos do conflito, reforçando o cenário de incerteza entre setores.
Entre na conversa da comunidade