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Celulares e TVs podem ficar até 30% mais caros, aponta Abinee

Abinee projeta alta de até 30% em celulares e TVs, por custos de memória e matérias-primas, com repasse aos preços ao consumidor

Um cliente observa computadores da Apple em exposição em uma loja de eletrônicos em 11 de abril de 2023, em Miami, Flórida.
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  • Abinee projeta aumento de até 30% em celulares, TVs e notebooks devido a custos de componentes e matérias-primas; 47% das empresas do setor já pagam mais por insumos.
  • O pior cenário é ligado a memórias, com renegociação de contratos desde fim de 2024 e reajustes que podem chegar a 100% ao longo da cadeia.
  • Diferentemente da pandemia, a pressão atual vem da expansão de data centers de IA, que demandam muitos componentes, enquanto a produção de semicondutores não acompanha o ritmo.
  • Além das memórias, metais como cobre e alumínio, além de plástico, tiveram alta, impulsionadas também pelo aumento do petróleo e pelo custo do transporte.
  • O impacto na prática pode ser reajuste de preços ao consumidor, queda de vendas e efeitos negativos no PIB, com o setor avaliando que o cenário pode ser ainda mais crítico no curto e médio prazo.

A Abinee, associação que reúne a indústria eletroeletrônica, afirma que celulares, TVs e notebooks devem apresentar reajustes de até 30% nos próximos meses. A estimativa considera aumento de custos de produção, não apenas de demanda. O cenário é dito mais crítico que o observado na pandemia.

Segundo a entidade, 47% das empresas do setor já pagam mais por componentes e matérias-primas, cifra que avança desde o fim de 2025. O repasse aos preços ocorre pela cadeia de fornecimento, elevando o custo final de produtos.

Um dos principais rumos desse encarecimento é o aumento das memórias, essenciais para dispositivos. Desde o fim de 2024, grandes fornecedores renegociam contratos com reajustes que podem chegar a 100% ao longo da cadeia produtiva, pressionando preços ao consumidor.

A explicação da Abinee difere do cenário de condução da pandemia. Humberto Barbato, presidente da entidade, afirma que a demanda por data centers de IA impulsiona a procura por componentes de alto custo, sem que haja capacidade de expansão rápida na produção de semicondutores.

O resultado é oferta mais restrita e custo maior. Além das memórias, materiais como cobre, alumínio, ouro e prata registraram alta. Em março, o cobre subiu 16,8% e o alumínio 15,3% ante o ano anterior; o plástico também acompanha o movimento.

O petróleo elevou o custo de fabricação de plásticos e impacta o preço de matérias-primas. Conflitos internacionais recentes contribuíram para esse movimento, com efeito direto no preço final dos produtos. Transportes também encarecem devido a combustíveis mais caros.

Qual é o efeito para o consumidor? O repasse dos custos pode reduzir vendas de eletrônicos e pressionar o orçamento familiar. O quadro também pode influenciar o ritmo econômico, dificultando a queda de juros e o crescimento do país.

Para a Abinee, o impacto pode ir além do setor. Barbato afirma que o desempenho do PIB pode ficar abaixo do esperado caso o cenário de preços elevados persista. O alerta aponta para um processo de alta não apenas pontual, mas estrutural nos próximos anos.

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