- Entre 2021 e 2025, o faturamento do seguro cibernético no Brasil subiu 121,7%, para R$ 228,8 milhões, segundo a CNSeg.
- Além do reembolso, as apólices atuam como ferramenta de gestão de crise, oferecendo apoio técnico, jurídico e de imagem para a continuidade do negócio.
- O relatório Cyber in Focus 2025, da Willis Towers Watson, mostra que 50% das violações ocorrem na cadeia de suprimentos; 80% das empresas têm planos de enfrentamento, mas apenas 68% foram testados e 53% possuem seguro.
- A governança corporativa tende a migrar a decisão sobre seguro cibernético para comitês de auditoria e riscos, evitando que o custo seja repassado apenas à área de tecnologia.
- O mercado aponta que as apólices devem priorizar a resposta operacional e a recuperação, com apoio de consultorias na maturidade digital e medidas como segmentação de acessos e backups isolados.
O mercado de seguro cibernético no Brasil vive uma evolução rápida, acompanhando o aumento de ameaças digitais. Reembolsos são apenas parte das apólices, que também oferecem apoio técnico, jurídico e de imagem para manter a operação durante interrupções.
Entre 2021 e 2025, o faturamento do ramo subiu 121,7%, chegando a R$ 228,8 milhões, segundo a CNSeg. O crescimento reflete a adoção de ferramentas de gestão de crise aliadas à proteção financeira.
Uma análise da Willis Towers Watson com dados de 4.650 violações em mais de 90 países aponta que metade dos incidentes ocorre na cadeia de suprimentos. O estudo indica descompasso entre confiança na resiliência e preparo para enfrentar ciberataques.
Panorama do setor
Apesar de 80% das empresas terem planos de enfrentamento, apenas 68% testaram esses planos e 53% possuem seguros cibernéticos, segundo o relatório. O resultado é de um acordo entre executivos sobre a necessidade de melhoria da preparação.
Especialistas ressaltam que o impacto financeiro real depende da exposição ao risco, não apenas do custo da apólice. O problema de enxergar o tema como responsabilidade exclusiva da TI é citado como entrave à governança.
Levantamentos indicam que muitas decisões sobre seguro ficam com gestores técnicos, gerando conflitos de orçamento entre TI e áreas operacionais. A tendência é migrar a decisão para comitês de auditoria e riscos.
O papel da governança
Segundo estudo da Aon, as ameaças digitais devem permanecer como principal perigo para as empresas da América Latina até 2028, com Brasil entre os alvos globais. A governança aparece como fator-chave para reduzir lacunas de proteção.
Apólices voltadas a riscos digitais priorizam a resposta operacional, incluindo investigação forense, suporte jurídico e recuperação de sistemas. O ressarcimento de fraudes costuma ficar em contratos específicos do ramo crime.
A recomendação é integrar o seguro à governança corporativa como prioridade estratégica. Consultorias ajudam na adaptação aos requisitos técnicos do mercado segurador, com diagnóstico de maturidade digital.
A gerente da Zurich Brasil aponta que o fator humano é a maior fronteira de vulnerabilidade. Programas de sensibilização e pentests passam a fazer parte das coberturas, com uso de créditos da apólice para mitigação.
Ter a proteção cibernética como componente ativo da gestão de riscos é visto como caminho para reduzir vulnerabilidades técnicas e comportamentais, fortalecendo a continuidade do negócio.
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