- A weaponização do dinheiro usa moedas, reservas internacionais e sistemas de pagamento como instrumento de coerção, influenciando a valorização de ouro e bitcoin e a percepção de neutraidade do dólar.
- Irã convive com sanções americanas desde 1979; a Rússia intensificou o uso de sanções desde 2022, com bloqueio de reservas e exclusão de bancos do sistema Swift, levando Moscou a acumular ouro.
- A China aumentou significativamente suas reservas de ouro a partir de novembro de 2022, reforçando o papel do metal como ativo de proteção.
- Em 28 de fevereiro de 2026, saídas de cripto de corretoras iranianas totalizaram cerca de US$ 10,3 milhões em poucos dias, com recursos migrando para carteiras pessoais e exchanges no exterior.
- O cenário sugere uma reprecificação dos ativos monetários: ativos mais neutros, portáteis e resistentes a bloqueios, como ouro e bitcoin, ganham relevância frente à coercibilidade do dinheiro, enquanto o dólar enfrenta pressão para diversificação de reservas.
Nem tudo continua como antes no campo monetário. A weaponização do dinheiro ganha espaço como fator de pressão geopolítica, redefinindo a percepção de valor de ativos como ouro e bitcoin. O dólar, apesar de manter papel central, enfrenta novos riscos de cooperação ou coerção financeira entre nações.
Observa-se que governos e bancos centrais passaram a usar moedas, reservas internacionais e sistemas de pagamento como instrumentos de poder. Esse cenário eleva a atratividade de ativos menos vulneráveis a controles externos, como ouro e criptomoedas com autocustódia, em meio a tensões globais.
Contexto histórico e ações recentes
O Irã convive com sanções dos EUA desde 1979, muitas vezes associadas a congelamento de ativos e restrições financeiras. A Rússia viu reservas bloqueadas e bancos excluídos do Swift após a invasão da Ucrânia, em 2022, impulsionando estratégias de segurança financeira.
Em novembro de 2022, o Banco Central da China retomou robustas compras de ouro, ampliando suas reservas. O movimento ocorreu após sanções ocidentais que atingiram a Rússia, reforçando o papel do ouro como ativo de reserva.
Movimentos de mercado e choque de portfólio
Cidadãos passaram a buscar alternativas diante de restrições financeiras e riscos de apreensão. Ativos digitais surgem como opção pela mobilidade e autocustódia, salientando o papel do bitcoin em contextos de crise e sanções.
Após ataques em 28 de fevereiro de 2026, saídas de cripto de corretoras iranianas dispararam, estimadas em cerca de US$ 10,3 milhões em dias recentes. Recursos migraram majoritariamente para carteiras pessoais e exchanges estrangeiras.
Implicações para ativos e políticas
Especialistas apontam que a weaponização do dinheiro altera critérios de precificação. Reservas internacionais podem sofrer congelamentos, enquanto bancos ficam expostos a exclusões do sistema de pagamentos. A demanda por neutralidade política e resistência a bloqueios cresce.
O ouro se beneficia pela historicidade e menor dependência da infraestrutura dolarizada. O bitcoin ganha relevância pela escassez, portabilidade e autocustódia em um ambiente de maior tensão geopolítica. O dólar, apesar de ainda dominante, enfrenta incentivos à diversificação de reservas.
Perspectivas
A dinâmica sugere uma reprecificação de ativos monetários, com maior valorização de instrumentos menos sujeitos a coerção. Neutralidade, mobilidade e independência aparecem como atributos-chave para investidores, governos e clientes em cenários de conflito ou sanções.
O panorama atual indica que tanto governos quanto indivíduos poderão buscar maior variedade de ativos respeitando regras de segurança, transparência e veracidade das informações, sem extrapolar fronteiras éticas ou legais.
*Por Pedro C. Saraiva, economista e associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)*
*Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.*
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