- O bloqueio duplo do Estreito de Ormuz impacta o Canal do Panamá, elevando as taxas de trânsito por lá, segundo o Financial Times e a AFP.
- A rota que movia cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo bruto e gás natural ficou quase interrompida, levando compradores asiáticos a buscar suprimento na Costa do Golfo dos EUA.
- Com a maior demanda, o tráfego de navios que transportam petróleo bruto e gás natural liquefeito dos Estados Unidos pelo Panamá aumentou, chegando a média diária de embarcações acima de 40 em alguns dias.
- As tarifas de passagem cresceram bastante: leilões entre outubro e fevereiro registraram média de US$ 130.000, em março e abril subiram para US$ 385.000, e as eclusas Panamax chegaram a US$ 837.500, com lances acima de US$ 3 milhões em alguns casos.
- O tempo de espera no canal atingiu 4,25 dias, recorde recente, levando alguns armadores a contornar o canal pelo Cabo da Boa Esperança para chegar à Ásia, ainda que a rota do Panamá continue mais econômica.
O bloqueio duplo no Estreito de Ormuz afetou o trânsito de petróleo e gás, elevando as taxas marítimas e pressionando cadeias de suprimento globais. O Canal do Panamá registrou alta na demanda de passagem, com impactos sentidos principalmente na rota entre EUA e Ásia. A mudança de fluxos ocorreu desde o início dos conflitos no Oriente Médio.
O canal continua com tráfego intenso. A Autoridade do Canal do Panamá informou média diária de 34 navios em janeiro, 37 em março, e picos acima de 40 em dias específicos. A procura por reservas aumentou, e navios sem reserva enfrentaram filas de até cinco dias para atravessar.
As novas dinâmicas mostram asiáticos buscando suprimentos na Costa do Golfo dos EUA, em detrimento do Oriente Médio, para petróleo bruto e GNL. Esse deslocamento elevou o volume de embarcações a caminho da Ásia via Panamá, fortalecendo a importância da rota para compradores de diversidade de origem.
Em termos de custos, os leilões de passagem no canal alcançaram valores recordes. Entre outubro e fevereiro, passaram de US$ 130 mil para média de US$ 385 mil em março e abril. Êxitos de eclusas Panamax chegaram a US$ 837,5 mil, com lances acima de US$ 3 milhões comuns.
O custo elevado gerou gargalos logísticos. Segundo a Kpler, o tempo médio de espera de petroleiros no canal atingiu 4,25 dias, cerca de cinco dias a mais que o usual. Algumas embarcações optaram por contornar o canal pelo Cabo da Boa Esperança para a Ásia.
Gargalos também aparecem pela lentidão de licenciamento de passagem e pela necessidade de planejar com antecedência. Há relatos de navios que já reservam com meses de antecedência, enquanto outros esperam por leilões de última hora para garantir o trajeto.
Impacto operacional no Panamá
O incremento de demanda elevou o uso das eclusas e aumentou o custo médio das operações. Profissionais do setor destacam que, mesmo com custo elevado, o canal continua sendo a opção mais econômica para a rota EUA-Ásia, em comparação com desvios longos por outras rotas.
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