- Firpo afirma que a eventual desoneração da folha para compensar o custo da redução da jornada pode ampliar o déficite fiscal e levar ao aumento de juros pelo Banco Central.
- O impacto fiscal seria crítico se houver benefício fiscal, já que empregadores teriam de contratar mais pessoas ou usar horas extras.
- O cenário atual da economia não comporta esse tipo de concessão, segundo o professor, mesmo com a compreensão de quem pagará a conta.
- Workers com menor qualificação ficam mais expostos, principalmente os que atuam sem carteira ou em trabalho informal, que correspondem a cerca de quarenta por cento da força de trabalho.
- Sugere-se uma transição mais longa, de dez anos, para permitir adaptação de empresas, especialmente pequenos comércios, sem pressionar o caixa público.
O professor de Economia do Insper, Sergio Firpo, analisou os impactos da proposta de acabar com a escala 6×1 no Brasil. A avaliação foi dada em entrevista ao CNN Money, destacando a importância da forma de implementação.
Firpo aponta que o centro da questão é o efeito fiscal da eventual desoneração da folha para compensar o aumento de custo com a redução de jornada. Sem compensação, o custo recairia sobre empregadores, via mais contratações ou horas extras.
Segundo o economista, o cenário fiscal atual não comporta esse tipo de benefício. Se houver desequilíbrio, a consequência pode surgir na forma de maior carga tributária ou aumento das taxas de juros para conter a inflação.
Impacto nos trabalhadores menos qualificados
Firpo alerta que trabalhadores com menor qualificação devem ser os mais afetados, principalmente os que atuam em empregos sem carteira assinada ou por conta própria. Ele cita a dura realidade da informalidade no país.
O professor reforça a necessidade de um período de transição maior, defendendo até 10 anos para adaptação. Pequenos comércios, com margens estreitas, seriam os mais sensíveis a mudanças abruptas.
Ele conclui que um cronograma mais longo permitiria ajustar custos e evitaria a necessidade de compensações fiscais, protegendo as contas públicas sem interromper a transição.
Entre na conversa da comunidade