- A indústria de vinhos de Taiwan está upcycling de resíduos, como borras e cascas, em produtos que vão de chocolate a tofu fermentado, via o projeto Rewine e parceiros locais.
- Em Bulau Bulau, comunidade Atayal, as borras de vinho de millet são usadas para fermentar grãos de café taiwanês, resultando em um café premium com notas de álcool, tornando tudo local e sem desperdícios.
- A Weightstone redireciona borras finas para a Dida Creamery, que produz queijo de casca lavada; o pomace vai para outras utilizações, incluindo o chocolate de COFE.
- Após falhas iniciais com piquette, em 2023 e 2024 a iniciativa expandiu para mais de dez produtos, entre eles pão e salame, com o chocolate sendo o mais viável comercialmente.
- Planos futuros contemplam pão de fermentação natural com borras de vinho e potencial fermentação de molho de soja, mantendo a ideia de reduzir resíduos mesmo em projetos complexos.
A indústria vinícola de Taiwan está reinventando resíduos em oportunidades. Produtores jovens transformam borras e borras de uva em itens que vão desde chocolate até tofu fermentado, impulsionados por uma rede de artesãos locais. A iniciativa chama Rewine e envolve a comunidade indígena Atayal de Bulau Bulau, no nordeste do país.
No coração desse movimento, resíduos antes descartados ganham novas funções. As lees finas são destinadas à fabricação de queijos artesanais com casca lavada, enquanto as borras passam a integrar chocolate de alta intensidade. O projeto busca reduzir desperdícios mantendo o sabor e a identidade local.
A origem do esforço remonta a uma cultura de aproveitamento no país, reforçada pelo retorno da indústria vinícola em 2002, após o fim de um monopólio. Em 2021, resíduos de fair experimental da Buvons Nature deram início a experiências com piquete, bebida de baixo teor alcoólico a partir de borras.
A partir de ideias de Wilma Ku, fundadora da COFE, o projeto Rewine evoluiu para envolver uma rede de produtores locais. A iniciativa reuniu queijeiros, açougueiros, padeiros e produtores de café para reutilizar tudo o que sobra das etapas de fermentação e produção de vinho.
Apesar de avanços, o caminho não foi linear. Ensaios comerciais com piquete enfrentaram expectativas de preço e demanda, levando a ajustes de escala. Em 2023, a combinação de lees com grãos de café de Alishan foi testada, mas não atingiu o equilíbrio aromático desejado.
Em 2024, a rede já oferecia mais de dez produtos, entre chocolate, queijos, tofu fermentado e pães. O chocolate foi o mais estável economicamente, absorvendo o custo de processos como liofilização, enquanto o tofu fermentado conquistou nicho de mercado com pequenas tiragens e alto valor.
O projeto enfatiza que resíduos podem contribuir com sabor e textura sem perder a essência artesanal. Entre os resultados, destacam-se bebidas com notas de vinho, queijos com personalidade e itens de confeitaria que valorizam o caráter regional. O esforço continua, com novas possibilidades em estudo.
Entre as perspectivas futuras estão pães de massa madre com lees de vinho e a possível fermentação de molho de soja. A Rewine avança como experiência de economia circular, onde o acaso e a experimentação convivem com a necessidade de viabilidade econômica para o pequeno setor.
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