- Economista Elena Landau critica o plano de reestruturação dos Correios, dizendo que ele é insuficiente para resolver problemas estruturais da estatal.
- Ela aponta que a empresa fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e teve queda de 11% na receita bruta em relação a 2024.
- Landau destaca o descompasso entre dívidas acumuladas — incluindo quase R$ 1 bilhão apenas em juros — e as medidas de reestruturação, que seriam lentas.
- A especialista afirma que, mesmo que o plano tenha potencial, não iria reverter o rombo diante do passivo herdado e das medidas de venda de imóveis, PDV e reestruturação de entregas.
- Ela defende uma discussão mais ampla sobre o papel dos Correios, questionando se deve manter o serviço universal, manter entregas, vender parte da empresa ou buscar delegação ou concessão do serviço.
Elena Landau criticou o plano de reestruturação dos Correios, afirmando que ele é insuficiente para resolver problemas estruturais da estatal. Em entrevista ao CNN Money, a economista destacou o prejuízo de 8,5 bilhões de reais registrado pela empresa em 2025 e a queda de 11% na receita bruta ante o ano anterior.
A especialista afirmou que o plano atual não terá impacto significativo nas contas, devido ao peso herdado do passado. Segundo Landau, desde o anúncio, já se sabia que os efeitos seriam limitados diante do endividamento da empresa.
Ela ressaltou o descompasso entre dívidas acumuladas, com quase 1 bilhão de reais em juros, e as medidas de reestruturação. A lenta implementação das ações, segundo ela, agrava o desafio de recuperação.
Outro ponto crítico é o uso de empréstimos com garantia do Tesouro Nacional. Landau alertou que bancos sabem que o Correios pode não honrar os empréstimos, elevando despesas financeiras futuras.
A economista criticou a ausência de um plano claro para o futuro da empresa. Ela defendeu definir objetivos concretos para os Correios frente a concorrência, avanços tecnológicos e mudanças no mercado.
Landau lembrou que a venda de imóveis e o Programa de Demissão Voluntária ficaram aquém do esperado, o que amplia dúvidas sobre a capacidade de ajuste financeiro sem mudança profunda no modelo de negócios.
Ela questionou ainda o papel dos Correios, sugerindo uma discussão sobre manter, ampliar ou alterar a atuação postal. A especialista ponderou sobre possibilidades como delegação ou concessão de serviços, além da universalização prevista na Constituição.
O tema envolve decisões sobre permanência do serviço postal, continuidade de entregas e eventual venda de ativos. A profissional destacou a necessidade de um debate amplo sobre o futuro da estatal, sem preferir soluções já anunciadas.
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