- Dólar fica perto de R$ 5, com queda de cerca de 12% em 12 meses, e quase 9% apenas nos primeiros quatro meses de 2026.
- O real é a moeda que mais se valoriza contra o dólar neste ano, segundo levantamento do Banco Pine.
- A fraqueza do dólar global é explicado pela percepção de risco em relação a tarifas e guerras comerciais, levando investidores a buscar emergentes como o Brasil.
- Três pilares sustentam a valorização brasileira: juros altos (Selic), commodities em alta e fundamentos externos fortes que atraem capital estrangeiro.
- Impactos para o bolso: dólar mais baixo pode conter inflação e reduzir preços de produtos importados; viagens aos EUA ficam mais baratas, mas o cenário de 2026 segue volátil.
O dólar opera próximo de R$ 5 e, nos últimos 12 meses, a moeda americana acumula queda de cerca de 12%. Em 2026, boa parte da desvalorização ocorreu em menos de quatro meses, com a valorização do real puxando o câmbio para baixo. As duas moedas influenciam o cenário mundial.
Especialistas apontam que a força do dólar frente a outras economias freou a demanda por ativos de risco globalmente. O mercado passou a privilegiar moedas consideradas refúgio fora dos EUA, o que favoreceu o real diante de pares emergentes.
Contexto global e atuação brasileira
O dólar recuou nos primeiros meses da gestão de Trump, após o chamado tarifão, levando investidores a buscar alternativas. Com isso, o Brasil passou a ser visto como porto seguro para capital internacional, tanto produtivo quanto financeiro.
Segundo Cristiano Oliveira, do Banco Pine, o Brasil surge como regime estável em meio a tensões geopolíticas. A valorização do real ficou entre as maiores do ano entre moedas em relação ao dólar, segundo levantamento do Pine.
Por que o real sobe este ano
Três fatores sustentam a alta do real: juros maiores e juros reais, com a Selic possivelmente encerrando o ciclo em 13,5% a 14%; commodities em alta, como petróleo e boi gordo, elevando as exportações; e fundamentos externos fortes, com menor percepção de risco.
A combinação reduz o apelo de investir apenas em dólar e atrai recursos para títulos brasileiros, reforçando a renda fixa e o fluxo cambial para o país.
O que esperar para o restante de 2026
A volatilidade depende de fatores como o conflito EUA x Irã, eleições e a pauta fiscal. A atividade econômica resistente no início do ano sustenta a cautela do Banco Central na calibração da taxa de juros.
Analistas apontam que o real pode manter trajetória de valorização moderada, ainda que haja riscos de oscilações diante de fatores externos e internos. O câmbio permanece sensível a novidades geopolíticas.
Impactos para o bolso do brasileiro
Estudo da FGV aponta que a variação cambial influencia a inflação, com impacto potencial de cerca de 15% na conta de famílias, dependendo da renda. Dólar mais baixo pode frear alta de preços de itens importados.
Para viajantes, a queda do dólar tende a reduzir custos de deslocamento e compras no exterior, oferecendo melhor custo médio na conversão de moeda.
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