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Crise dos fertilizantes expõe vulnerabilidades na cadeia de suprimentos

Crise dos fertilizantes expõe dependência de 80% de importação, elevando custos e risco de queda de produtividade na próxima safra

Foto: Alecio/Adobe Stock
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  • Brasil depende de fertilizantes importados em cerca de oitenta por cento, mesmo sendo potência agrícola capaz de até três safras por ano.
  • Os preços dos fertilizantes estão subindo: ureia com alta de oitenta por cento e fósforo acima de US$ oitocentos por tonelada; Rabobank projeta queda de quase dois milhões de toneladas nas entregas em 2026.
  • A produção nacional de fertilizantes caiu trinta por cento entre 2002 e 2022, com queda de quarenta e oito por cento em intermediários químicos entre 2012 e 2024.
  • Desindustrialização do setor, com alta carga tributária, infraestrutura deficiente, regulação excessiva e entraves ambientais; o Convênio mil cento marcou distorção tributária que favoreceu importação desde 1997, corrigida parcialmente em 2021, mas licenciamento atrasou.
  • O Programa Nacional de Fertilizantes, criado em 2022, precisa de prioridade e execução para reduzir a dependência até 2050 e evitar impactos na próxima safra.

O Brasil, potência em tecnologia e agricultura, pode colher até três safras por ano, mas depende de importações para fertilizantes. O conflito no Oriente Médio aumenta a vulnerabilidade do setor produtivo brasileiro, com normalização das cadeias de fornecimento ainda sem previsão. O impacto se fará sentir na próxima safra de grãos.

Os fertilizantes já vinham em alta antes do conflito. A ureia subiu cerca de 80% e o fósforo já ultrapassou US$ 800 por tonelada, segundo o Rabobank. A projeção é de queda na entrega mundial de fertilizantes em 2026, com redução de quase 2 milhões de toneladas.

Isso resulta em custos de produção mais altos, menor produtividade e tensão no caixa do produtor rural. A consequência pode ser sentida ao longo de toda a cadeia econômica, com efeitos na geração de empregos e no bolso do consumidor brasileiro.

Desindustrialização do setor

Um levantamento da CNI mostra que, entre 2002 e 2022, a produção nacional de fertilizantes caiu 30%, impulsionada pelo fechamento de grandes fábricas de nitrogenados. Entre 2012 e 2024, a queda nos intermediários químicos foi de 48%.

As causas apontadas incluem alta carga tributária, infraestrutura deficiente, regulação excessiva, entraves ambientais e competição externa. Em 1997, o Convênio 100 criou distorção tributária que favoreceu fertilizante importado, desestimulando produção nacional.

A correção do regime tributário ocorreu apenas a partir de 2021, mas a morosidade no licenciamento ambiental travou projetos de mineração. O excesso de regulação permanece como entrave ao desenvolvimento do setor.

Programas e perspectivas

O Brasil tem jazidas mapeadas, 60 empresas misturadoras com unidades espalhadas pelo país e reservas de gás natural, rochas fosfáticas e potássicas. O Programa Nacional de Fertilizantes, criado em 2022, visa reduzir a dependência até 2050, mas precisa sair do papel.

Especialistas destacam que a agenda estratégica do agronegócio é essencial para a estabilidade de preços e da produção. Sem prioridade e execução, o país continua vulnerável a crises globais que afetam o custo de insumos e a competitividade agrícola.

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