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Dólar em torno de R$5: é momento de investir no exterior?

Previsões de câmbio erram com frequência; investir no exterior exige foco em ativos com bons fundamentos e aportes mensais para diluir riscos cambiais

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  • O texto defende investir no exterior sem tentar cronometrar o câmbio, buscando objetivos financeiros com disciplina.
  • No início de 2025, o dólar ficou em torno de R$ 5; previsões do Focus indicavam fim do ano em R$ 6, mas houve queda para R$ 5,50 (‑11,1%).
  • Em 2024, a mediana das projeções era de alta de 3,3% do dólar, mas a moeda subiu 27,9%; a média de erro das projeções é de 13,1%.
  • Ao longo de dez anos, 2017 foi o ano em que as projeções mais acertaram; 2016 teve o maior erro, com previsão de alta de 8,9% e queda de 16,5%.
  • A conclusão é que não é seguro apostar no câmbio para investir no exterior; o caminho é escolher ativos com bons fundamentos e investir mensalmente para diluir riscos cambiais.

No começo de 2025, o dólar operava perto de R$ 5,50, após abrir o ano em R$ 6,19. Pesquisas do Focus apontavam fechamento em R$ 6,00, com algumas projeções chegando a R$ 7. No fim, houve queda para R$ 5,50.

A trajetória contrária às expectativas decorre de fatores que poderiam manter o câmbio valorizado, como dívida pública, déficit fiscal, e tensões geopolíticas. Mesmo assim, o dólar se desvalorizou frente ao real na prática.

Ao longo de 2024, as projeções do Focus sugeriam alta de 3,3% para o dólar, mas a moeda subiu 27,9%, surpreendendo analistas. Em uma década, a leitura das projeções mostra erro médio de 13,1% em relação ao real.

Em 2017, os analistas acertaram com maior proximidade (alta de 5,9% projetada, 1,5% realizada). Em 2016, houve o maior desvio: previsão de alta de 8,9% ante queda de 16,5%. Assim, a margem de erro tende a persistir.

Se alguém apostar que o dólar fechará o ano em R$ 5,30, a faixa provável fica entre R$ 4,61 e R$ 5,99, com erro estimado em 13,1%. Para 2024, a variação pode oscilar entre R$ 3,69 e R$ 6,91, conforme cenários.

Projeções e prática de investimento

A leitura dominante é que não se pode confiar em previsões de curto prazo para o câmbio. Em longo prazo, algumas análises citam o desequilíbrio entre inflação Brasil vs EUA como fator de desvalorização do real, no agregado.

Desde julho de 1994 até outubro de 2002, o dólar subiu 321%, mas entrou num ciclo de queda até 2011, com perda de 60%. O patamar só voltou a subir em 2015, após longo período de oscilação.

A diferença de inflação entre países agrava a avaliação de longo prazo. Um dólar comprado em 2002 poderia ter perdido valor frente à inflação acumulada de 292% até hoje, segundo estimativas. O conceito de “longo prazo” varia conforme quem analisa.

Caminho prático para investir no exterior

Ao investir no exterior, a orientação é evitar buscar o melhor momento do câmbio. Em vez disso, selecionar ativos com fundamentos sólidos, que gerem caixa e dividendos no longo prazo.

Para ações, é recomendável priorizar empresas com histórico de fluxo de caixa estável. Estudos indicam que US$ 1 investido em 1988 em firmas com fluxo de caixa estável renderia mais no longo prazo do que a média do mercado.

Para diversificar, o aporte periódico é mais indicado do que aplicação única. Distribuir pequenos aportes ao longo do tempo reduz riscos cambiais e protege contra oscilações imprevistas.

Se ainda restarem dúvidas sobre investimentos, sigo disponível para responder por meio das redes sociais.

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