- As margens de refino das petrolíferas europeias viraram negativa, após alta do petróleo, extensão do fechamento do estreito de Ormuz e forte demanda asiática.
- A Comissão Europeia pediu que a capacidade de refino na Europa seja maximizade para evitar estouro de abastecimento neste verão, atrasando paradas de manutenção.
- Analistas alertam que o endurecimento econômico pode levar ao fechamento de refinarias com prejuízo, especialmente as simples e com alta produção de gasolina.
- No primeiro trimestre, Repsol teve margem de refino de 10,9 dólares por barril, aumento de 105,7% em relação ao mesmo período de 2025; TotalEnergies, 11,4 dólares por barril, estável frente ao quarto trimestre de 2025, mas 192% acima de 2025 (1º tri); Shell, 17 dólares por barril, acima dos 14 do trimestre anterior.
- Entre as empresas, EnI e Shell aparecem em melhor posição para enfrentar a pressão; Repsol fica mais exposta à evolução das margens.
A margem de refino na Europa caiu de patamar histórico para território negativo em poucas semanas, impulsionada pela escalada do petróleo e pelo aperto de oferta global. Analistas da JP Morgan indicam que as refinarias começam a sentir pressão, com risco de reduzir a produção de combustível. A recomendação da Comissão Europeia de manter capacidade de refino no continente complica movimentos de ociosidade.
A Agência Internacional de Energia já havia sinalizado, em seu relatório, margens de refino negativas para produtos leves e pesados na semana de 6 de abril. Nos EUA e na Ásia, porém, os resultados seguem favorecidos pela demanda robusta e pelo maior acesso a petróleo extraído via fracking, fortalecendo a diferença de desempenho.
A possibilidade de fechamento de pequenas e médias unidades é tema de debate entre investidores. Sumit Ritolia, da Kepler, aponta que a sustentabilidade econômica continua frágil, sobretudo para refinarias com maior participação de gasolina. Já JP Morgan alerta que o ajuste de produção europeu não seria a decisão mais adequada no contexto atual.
A Comissão Europeia tem enfatizado a necessidade de garantir o abastecimento durante a temporada de verão, inclusive sinalizando ampliar a atividade de refino e atrasar manutenções. O aumento do custo de combustíveis também impacta companhias aéreas, como Lufthansa e Volotea, que já reduziram a programação de voos de verão.
Especialistas destacam dificuldades para repassar custos aos consumidores, sugerindo pressão inflacionária por parte dos combustíveis. Mecanismo de transmissão ainda é tema de análise, com diferenças entre países europeus na prática de repassar custos.
Entre as dynâmicas regionais, a volatilidade dos margens gera distorções de preço, visto que o crudo reage mais rapidamente que os produtos refinados. Países baixos, Noruega, Finlândia, Suécia, Grécia e Itália aparecem entre os mais expostos, segundo analistas, com impactos variados para companhias nacionais.
No contexto corporativo, Repsol anunciou que, no primeiro trimestre, o seu margem de refino cresceu significativamente na Espanha, enquanto TotalEnergies manteve margens estáveis e Shell reportou margens mais altas no mesmo período. Segundo as projeções, as refinarias de maior rendimento reagiram de forma mais resiliente.
Olhando para o conjunto do setor, a análise indica que Eni e Shell teriam vantagem na resistência a pressões de refino, enquanto Repsol aparece como mais sensível às oscilações de margens. As próximas semanas devem esclarecer quais unidades manterão operação plena diante do cenário de custos elevados e demanda ainda instável.
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