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Guerra pode mudar combustível utilizado no transporte

Conflito no Oriente Médio e volatilidade do petróleo aceleram a busca por biometano, biodiesel e veículos elétricos no transporte de cargas, apesar dos altos investimentos

Camilo Adas: “Não adianta a gente fazer SAF para o Brasil, porque os volumes são baixíssimos” — Foto: Divulgação
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  • Empresas do setor de transportes avaliam soluções além do diesel por motivos econômicos e ambientais, como biodiesel, biometano e veículos elétricos, mas o investimento inicial dificulta a transição.
  • A Bravo Logística já testa biometanol e outras opções, com frota próxima de mil veículos; cerca de dois por cento já operam a gás.
  • A Jomed Transportes planeja ter setenta por cento de caminhões movidos a gás até 2030, ampliar postos de biometanol e abrir unidades em Volta Redonda e no Espírito Santo; o biometano chega a custo entre vinte e cinco e trinta por cento menor que o diesel.
  • A Braspress, com mais de tres mil veículos, teve economia de setenta e oito por cento com elétricos após cinco anos de operação piloto e planeja comprar mais sessenta até 2027, com foco em entregas urbanas.
  • Entre os desafios estão custo de aquisição, infraestrutura de abastecimento, tempo de entrega dos veículos e necessidade de corredores verdes; restrições da União Europeia podem limitar biocombustíveis, e companhias avaliam projetos de eletrificação rodoviária, como a Dutra, em estágio inicial, além de discutir incentivos públicos.

A mudança no combustível do transporte de cargas ganha espaço diante da volatilidade do petróleo e das incertezas sobre o estreito de Ormuz. Empresas do setor avaliam biodiesel, biometano e veículos elétricos como opções viáveis tanto por impacto ambiental quanto por custo.

Executivos apontam que o investimento inicial é o principal entrave para a transição. Embora as alternativas exijam menos gastos a longo prazo, o desembolso inicial ainda é maior que o necessário para manter o diesel tradicional. A busca por soluções já acontece em feiras e eventos setoriais.

A Bravo Logística sinaliza tester de biometanol como alternativa ao diesel, com a frota atual de cerca de mil veículos tendo apenas 2% adaptados para gás. A empresa também analisa biodiesel e aditivos catalisadores como etapas de transição.

Para a Jomed Transportes, o biometano aparece como solução escalável, com custo atual entre 25% e 30% menor que o diesel. A empresa, que tem frota de 500 veículos, planeja chegar a 70% movida a gás em 2030 e ampliar postos de abastecimento na região.

A Braspress compartilha dados de economia: após cinco anos de operação-piloto, houve redução de 78% no custo em relação ao diesel comum. A transportadora, com mais de 3 mil veículos, planeja comprar 60 elétricos até 2027, com foco em entregas urbanas.

Para viabilidade, a infraestrutura de abastecimento é crucial. O desafio inclui a eletrificação de rodovias, como a Dutra em estágio inicial, e a alta diferença de preços entre veículos elétricos e diesel, além do tempo de entrega de equipamentos, que pode chegar a um ano.

O biometano também depende de corredores logísticos e de incentivos públicos. Há necessidade de expansão de infraestrutura para rotas longas, já que o combustível pode empatar com o GNV, oferecendo maior flexibilidade para viagens estendidas.

Questões regulatórias da União Europeia aumentam a incerteza. Regulamentações sobre matérias-primas de biocombustíveis podem limitar a oferta de mercados de alto volume, freando o desenvolvimento de biocombustíveis de soja ou palma, segundo especialistas presentes na Hannover Mese.

No setor aéreo, a demanda por SAF revela impactos de normas europeias, que podem restringir o uso de determinados materiais. O resultado é efeito indireto sobre custos e disponibilidade de combustíveis com alto teor de sustentabilidade.

Nos próximos anos, as empresas pretendem ampliar frota a gás e elétricas, mantendo a transição como prioridade para reduzir dependência de combustíveis fósseis e enfrentar incertezas geopolíticas que afetam o diesel.

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