- O secretário de Agricultura de São Paulo, Geraldo Melo Filho, afirmou na Agrishow que os juros no campo beiram a extorsão e que o endividamento pode levar produtores a perder terras para bancos e credores.
- Ele destacou recordes de inadimplência e de recuperação judicial no setor, mesmo com safras farta e alta exportação.
- Melo Filho criticou o crédito anunciado pelo governo federal, chamando-o de promessa sem juros definidos, sem prazo para começar a valer e sem direcionamento claro.
- Disse que o Plano Safra perdeu relevância e que o seguro rural desaparece no primeiro contingenciamento; o crédito chega com taxas de mais de vinte por cento.
- O secretário afirmou que o campo segue produzindo, mas sob aperto financeiro, com o Estado atuando como “sócio oculto” que não compartilha o risco e cobra resultados.
O secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, afirmou que os juros cobrados no crédito rural beiram a extorsão e que o endividamento pode exigir uma reforma agrária imposta pelo banco. O alerta foi feito durante a 31ª edição da Agrishow.
Ele destacou que, apesar de safras abundantes, o setor enfrenta recordes de inadimplência e de recuperação judicial. Segundo Melo Filho, o governo federal anunciou crédito recente cuja disponibilidade não ficou clara para os produtores.
Ainda de acordo com o secretário, o Plano Safra perdeu relevância e o seguro rural tende a ser insuficiente, com contingenciamentos que reduzem o acesso ao crédito. As taxas de juros, afirmou, superam 20% quando há liberação de crédito.
Melo Filho ressaltou a importância da produção agroindustrial para a economia, mas criticou promessas de políticas públicas que não atingem quem está na ponta da cadeia produtiva. O produtor continua encontrando dificuldades para financiar a produção.
Segundo ele, a pressão financeira cresce mesmo com recordes de safra e exportação. O secretário disse que o agro brasileiro mantém a produção, mas que a atual conjuntura pode inviabilizar atividades de muitos produtores.
DESDOBRAMENTOS DO CRÉDITO E DO PLANO SAFRA
O secretário afirmou que o campo vive um momento singular, com produção em alta e custos altos. Ele apontou que o crédito disponível não está alinhado às necessidades dos produtores rurais.
Melo Filho citou que o seguro rural já é insuficiente e sofre com cortes orçamentários. Além disso, o crédito, quando chega, traz juros elevados e prazos limitados, dificultando o planejamento financeiro.
Ele ainda criticou a percepção de que o setor seria favorecido por políticas públicas, sugerindo que o efeito prático tem sido de menor apoio aos produtores. O tema envolve discussão sobre a política agrícola nacional.
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