- Brasileiros dobraram as compras de criptomoedas no exterior no 1º trimestre de 2026, de US$ 3,1 bilhões para US$ 6,9 bilhões (R$ 34,4 bi).
- Quase todo o volume está em stablecoins, com US$ 6,8 bilhões; apenas US$ 116 milhões foram em criptoativos sem passivo.
- A demanda hoje é por acesso a dólares digitais, não pela compra direta de Bitcoin.
- O crescimento está alinhado com o fim de 2025, quando o 4º trimestre teve US$ 6 bilhões; alta anual de cerca de 122,6%.
- A regulação de ativos virtuais, em vigor desde fevereiro, deverá permitir fluxo de informações mais robustas ao Banco Central a partir do fim do 1º semestre.
O volume líquido de compras de criptomoedas feitas por brasileiros no exterior alcançou US$ 6,9 bilhões no primeiro trimestre de 2026, ante US$ 3,1 bilhões no mesmo período de 2025. O montante, convertido em reais, fica em torno de R$ 34,4 bilhões. A maior parte envolve stablecoins, ativos atrelados a moedas fiduciárias como o dólar.
A quase totalidade do valor está associada a stablecoins. Foram US$ 6,8 bilhões em operações com esses ativos, enquanto apenas US$ 116 milhões corresponderam a criptoativos sem passivo correspondente. A demanda não se concentra em BTC, mas no acesso a dólares digitais no exterior.
No fim de 2025, as despesas com criptoativos no exterior somaram US$ 6 bilhões, repetindo a tendência de alta iniciada no ano anterior. Em comparação anual, houve aumento de aproximadamente 122,6%, com o foco em stablecoins dominando o mercado brasileiro de ativos digitais.
Stablecoins dominam mercado brasileiro
Dados do Banco Central batem com os números da Receita Federal. Em 2025, o Brasil teve o maior volume anual de operações com criptoativos declaradas ao Fisco, totalizando R$ 505,5 bilhões. O USDT, da Tether, respondeu sozinho por R$ 326,89 bilhões, equivalente a 64,7% de todo o volume declarado.
O predomínio das stablecoins ajuda a entender por que o BC acompanha o tema com maior intensidade. Diferentemente do Bitcoin, visto como ativo volátil, stablecoins são usadas para dolarização, liquidez, remessas e pagamentos, além de servir como ponte para outras criptomoedas.
A procura por proteção cambial e pelo dólar digital tem sido um dos motores do crescimento, em linha com a regulação de ativos virtuais que entrou em vigor em fevereiro. O BC informou que participantes do mercado deverão prestar informações, com dados a partir do fim do primeiro semestre de 2026.
Regulação e perspectiva
Especificamente, Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, disse ao Valor Econômico que a nova norma exige envio de dados por parte dos operadores, para que a autoridade trate, trate e valide informações ao longo da segunda metade do ano.
A expectativa é que o fluxo de informações torne mais precisa a visão sobre transações externas envolvendo criptoativos. Atualmente, parte relevante da fotografia depende de estatísticas agregadas e de informações de diversos canais.
O movimento brasileiro se encaixa num fenômeno global: o mercado de stablecoins já supera US$ 320 bilhões e tem atraído a atenção de reguladores por facilitar pagamentos transfronteiriços, ao mesmo tempo em que levanta questões sobre estabilidade financeira e riscos sistêmicos. Entidades como o BIS já sinalizam cautela diante de uso amplo sem regras claras.
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