- A Raízen enviou aos credores uma proposta alternativa de reestruturação e busca levantar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões em capital novo.
- A empresa mantém a proposta de aumento de capital pelos controladores, com R$ 4 bilhões vindo da Shell e de Rubens Ometto, sem esclarecer a origem do dinheiro adicional.
- Os credores pedem mudanças, como abertura de maior participação no conselho aos credores ou responsabilização de executivos, mas a Raízen resiste a abrir mão da maioria dos assentos.
- A proposta não inclui a ideia de usar 30% dos recursos da venda de ativos na Argentina para reduzir a dívida, defendida pelos credores, e admite a possibilidade de criação de um comitê de governança com participação dos credores.
- O objetivo é chegar a um acordo extrajudicial até 6 de junho para evitar recuperação judicial, em meio a problemas de juros altos, investimentos não gerando retorno e queda do fluxo de caixa.
A Raízen enviou uma proposta alternativa aos credores, buscando avançar na reestruturação de dívida de 65 bilhões de reais. A companhia negocia para levantar entre 2,5 bilhões e 5 bilhões em capital novo, conforme apuração de fontes com conhecimento do assunto. A data indicada foi o sábado, 25.
Os detalhes apontam que a empresa mantém a meta de aumentar o capital pelos controladores, com aporte de 4 bilhões de reais envolvendo a Shell e Rubens Ometto. Não ficou claro de onde viria o novo dinheiro, e a Cosan, sócia de Ometto, não aportaria recursos no momento.
Enquanto isso, a Raízen resiste a abrir mão da maioria dos assentos no conselho. Credores pedem maior governança e responsabilização de executivos por eventuais passivos futuros, mas a empresa sinalizou a possibilidade de criar um comitê de credores para acompanhar a governança.
Ometto permanece na posição de presidente do conselho, segundo apuração. A demanda de remover Ometto ou alterar a direção do conselho aparece em propostas de credores, com tratativas ainda em estágio privado.
A Raízen reiterou a proposta de distribuir 70% das ações em uma possível conversão de dívida em equity, mantendo o governo corporativo sob controle dos atuais acionistas. Não houve adoção, segundo as fontes, da sugestão dos bancos de usar 30% dos recursos da venda de ativos na Argentina para reduzir a dívida.
A empresa negocia para evitar a recuperação judicial, após iniciar a reestruturação extrajudicial em março. O prazo previsto pelos credores para um acordo é até 6 de junho, com apoio suficiente de detentores de títulos e bancos credores.
A Raízen, vinculada à Cosan e à Shell, enfrenta desafios de juros altos, investimentos pesados e questões operacionais nos setores de açúcar e etanol. Esses fatores impactaram o fluxo de caixa e contribuíram para o aumento de endividamento.
Ao longo das negociações, agências de rating reduziram o grau de investimento da Raízen, ampliando a percepção de risco sobre os papéis. Títulos da empresa sofreram quedas, pressionando o cenário para um acordo extrajudicial estável.
Entre na conversa da comunidade