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Criptomoedas em tempos de guerra: porto seguro ou ativo de risco?

Bitcoin avança 15% em dois meses de conflito, mas não funciona como proteção clássica; stablecoins atreladas ao dólar ganham espaço como alternativa cambial

— Foto: Getty Images
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  • Em dois meses de tensão entre EUA e Irã, o Bitcoin valorizou cerca de 15%, chegando a quase US$ 80 mil na semana encerrada em 19 de abril, ainda longe do recorde de US$ 126 mil.
  • O desempenho mostra que o Bitcoin não funciona como proteção segura no curto prazo, pois tende a acompanhar o humor dos mercados de risco; a correlação com o S&P 500 fica em torno de 0,5.
  • Decisões de aperto monetário do Federal Reserve também impactam o mercado cripto, com quedas na capitalização quando o dólar sobe.
  • Criptomoedas atreladas ao dólar, as stablecoins, apresentam trajetória mais estável; a capitalização total passa de US$ 315 bilhões, com USDT recebendo destaque entre cerca de US$ 190 bilhões.
  • A carteira Mynt, do BTG Pactual, combina ouro e Bitcoin com rebalanceamento automático (61,1% em ouro e 38,9% em Bitcoin), sinalizando estratégias de diversificação em tempos de crise.

O Bitcoin vem registrando oscilações em meio aos dois meses de conflito entre EUA e Irã, completados nesta terça-feira. A valorização de cerca de 15% ainda convive com uma queda de aproximadamente 38% desde o pico, sem sustentar uma proteção robusta a curto prazo.

Para especialistas, a ideia de porto seguro não se sustenta de forma absoluta. A correlação média com o S&P 500 fica em torno de 0,5, indicando que o Bitcoin acompanha parte do humor dos mercados tradicionais. O aperto monetário também impacta sua capitalização.

Na prática, o ativo pode subir em tensões, mas não funciona como proteção clássica no curto prazo. Dados recentes sugerem que o comportamento segue vetores macroeconômicos, juros e percepção de risco global.

Criptomoedas atreladas ao dólar ganham espaço

As stablecoins, ligadas a moedas fiduciárias, avançam com maior clareza em momentos de incerteza. A capitalização agregada já passa de US$ 315 bilhões, com USDT somando perto de US$ 190 bilhões.

A média de movimentação diária das stablecoins fica em torno de US$ 70 bilhões, podendo superar US$ 100 bilhões em períodos de estresse, igualando boa parte da circulação de USDT.

Segundo Ricardo Dantas, presidente da Foxbit, ativos voláteis como o Bitcoin não cumprem plenamente o papel cambial no curto prazo. Já as stablecoins são usadas como alternativa eficiente ao câmbio tradicional.

Dantas acrescenta que as stablecoins reduzem fricções operacionais para empresas, ampliam o acesso à liquidez global e fortalecem o papel desses ativos como infraestrutura financeira, não apenas como investimento.

Diversificação como estratégia

O uso de criptomoedas como proteção exige cautela e gestão de risco, conforme o Braza Bank. A proteção cambial não é uma solução universal, mas pode funcionar dentro de estratégias bem estruturadas.

O mercado já testa soluções que combinam ativos para cenários de instabilidade. A Mynt, plataforma do BTG Pactual, lançou uma carteira com ouro e Bitcoin, com rebalanceamento automático.

André Portilho, sócio do BTG, afirma que a carteira une a solidez do ouro à inovação digital do Bitcoin, ajustando automaticamente as proporções conforme a volatilidade dos ativos. Hoje, 61,1% é ouro e 38,9% é Bitcoin.

A leitura destacada é que o mercado cripto não reage de forma homogênea a crises globais. Enquanto o Bitcoin oscila com o apetite a risco, as stablecoins ganham espaço como alternativa prática de acesso ao dólar.

Em suma, em tempos de guerra, as criptomoedas ocupam posição intermediária: não são exatamente porto seguro, mas também não ficam restritas à especulação, compondo estratégias de proteção e diversificação.

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