- Governo discute o Desenrola 2.0 com representantes dos principais bancos para renegociar dívidas e reduzir o endividamento das famílias.
- Entre as propostas está o uso do FGTS para abater dívidas e o governo como garantidor das renegociações, para substituir dívidas caras por contratos mais baratos.
- A ideia mira melhorar os balanços dos bancos com o desprovisionamento de créditos considerados perdidos e pode aliviar o peso das prestações de algumas famílias.
- O Tesouro pode ficar exposto a riscos, já que o FGO (Fundo Garantidor de Operações) vai garantir as operações.
- Mesmo com o Desenrola 2.0, as causas estruturais das altas taxas de juros no Brasil não são atacadas, mantendo o cenário de crédito caro para a maioria das famílias.
O Ministério da Fazenda discute o Desenrola 2.0 com o setor financeiro. O objetivo é renegociar dívidas de famílias para aliviar o peso de prestações, sem alterar de forma estrutural as taxas de juros no Brasil. O governo avalia medidas para reduzir custos para bancos e ampliar o desembolso de crédito.
O ministro Dario Durigan reuniu-se nesta segunda-feira, 27, com representantes dos maiores bancos do país. O encontro tratou das regras do novo programa, que promete uso do FGTS para abater dívidas e atuação do governo como garantidor das renegociações.
O governo também avalia como o Fundo Garantidor de Operações poderá sustentar a garantia das operações. A ideia é transformar dívidas caras em condições mais baratas, com impacto potencial nos balanços bancários e no orçamento público, mas sem mudanças estruturais no mercado de crédito.
O texto do Desenrola 2.0 aponta a renegociação como mérito central, favorecendo bancos pela melhoria de provisões e, em parte, retirando crédito considerado perdido. Ainda não há clareza sobre os riscos financeiros para o Tesouro.
Segundo dados do Banco Central, crédito pessoal não consignado soma 49 milhões de devedores, com juros médios de 5,96% ao mês. O crédito rotativo atinge 40 milhões de devedores, com juros de 14,8% ao mês, sendo 25,5 milhões com renda de até dois salários mínimos.
O Pix ampliou a entrada de 16,2 bilhões de brasileiros no sistema bancário entre 2020 e 2024. Essa inclusão trouxe acesso, mas também exposição a crédito de custo elevado, principalmente via rotativo e cheque especial.
As causas históricas das altas taxas de juros no Brasil incluem economia indexada, orçamento puxado pelo pagamento de aposentados e servidores, baixa poupança e produtividade. Questões estruturais permanecem sem avanço no atual governo.
ODesenrola 2.0 surge como tentativa de criar uma narrativa positiva perto das eleições, sem atacar as causas profundas. O governo sustenta que a renegociação alivia famílias, mas as decisões não mudam o cenário macro do crédito brasileiro.
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