- O Fed deve manter a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% na reunião de quarta-feira (29), com postura cautelosa e foco em dados.
- A inflação nos EUA segue acima da meta, com o PCE cheio estimado em 3,4% e núcleo em 3,1% em março, segundo o Bank of America.
- O conflito no Oriente Médio aumenta a pressão inflacionária, principalmente por impactos na energia e na produção de fertilizantes e polímeros.
- O mercado digere a possibilidade de cortes de juros mais adiante; projeções indicam início dos cortes apenas em setembro/outubro de 2026, com risco de não ocorrer caso a inflação permaneça elevada.
- A economia dos EUA deve crescer cerca de 2,4% no primeiro trimestre, mantendo demanda firme apesar de sinais de arrefecimento no mercado de trabalho.
O Federal Reserve deve concluir a reunião de política monetária na próxima quarta-feira (29) e é esperado que mantenha a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano. A decisão é encarada com cautela, dependendo dos dados que chegam até lá.
A inflação permanece acima da meta, com o PCE como referência do Fed. O mercado projeta alta no índice de março, impulsionada por energia, enquanto o núcleo deve ficar estável próximo de 3,1%. O cenário pressiona novas escolhas sobre juros.
A escalada do conflito no Oriente Médio eleva o risco inflacionário global. O estreito de Ormuz segue com fluxo reduzido, impactando o comércio de energia e revisões do FMI para baixo de crescimento e para cima de inflação.
Para o Fed, a dúvida não é apenas sobre cortes, mas se haverá alta de juros novamente. Relatórios de bancos sinalizam riscos de que choques de oferta na energia tragam pressão inflacionária persistente.
Analistas destacam que a situação geopolítica pode reforçar a cautela da autoridade monetária. O Fed tende a sinalizar abertura para aperto se os dados próximos mostrarem aceleração da inflação, especialmente no núcleo.
A projeção de cortes para 2026 foi revisada. Expectativas indicam início no segundo semestre de 2026, com cortes de 0,25 ponto percentual apenas se a inflação recuar com consistência e sinais de desaceleração do mercado de trabalho forem claros.
Perspectiva de mercado
Dados do FedWatch apontam maior probabilidade de manutenção ou alta até que haja confirmação de arrefecimento inflacionário. A primeira queda pode ocorrer apenas na reunião de dezembro de 2027, segundo a leitura atual.
O economista Rodolfo Margato vê cortes em 2026 como improváveis sem ajuste real da inflação. Já equipes de patrimônio destacam que o ritmo dos cortes depende de evidências de desaceleração da inflação, especialmente no núcleo do PCE.
No cenário atual, o clima de incerteza alimenta cautela entre investidores. A comunicação do Fed deve manter opções abertas, com foco em dados de inflação e emprego para guiar o ritmo de aperto ou acomodação.
Entre na conversa da comunidade