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Guerra e inflação devem manter juros estáveis no curto prazo nos EUA; risco de alta no ano

Fed deve manter juros estáveis diante de inflação elevada e choques geopolíticos, com risco de alta de juros no ano

Sede do Federal Reserve em Washington - 20/10/2021 (Foto: REUTERS/Joshua Roberts)
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  • O Fed deve manter a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% na reunião de quarta-feira (29), com postura cautelosa e foco em dados.
  • A inflação nos EUA segue acima da meta, com o PCE cheio estimado em 3,4% e núcleo em 3,1% em março, segundo o Bank of America.
  • O conflito no Oriente Médio aumenta a pressão inflacionária, principalmente por impactos na energia e na produção de fertilizantes e polímeros.
  • O mercado digere a possibilidade de cortes de juros mais adiante; projeções indicam início dos cortes apenas em setembro/outubro de 2026, com risco de não ocorrer caso a inflação permaneça elevada.
  • A economia dos EUA deve crescer cerca de 2,4% no primeiro trimestre, mantendo demanda firme apesar de sinais de arrefecimento no mercado de trabalho.

O Federal Reserve deve concluir a reunião de política monetária na próxima quarta-feira (29) e é esperado que mantenha a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano. A decisão é encarada com cautela, dependendo dos dados que chegam até lá.

A inflação permanece acima da meta, com o PCE como referência do Fed. O mercado projeta alta no índice de março, impulsionada por energia, enquanto o núcleo deve ficar estável próximo de 3,1%. O cenário pressiona novas escolhas sobre juros.

A escalada do conflito no Oriente Médio eleva o risco inflacionário global. O estreito de Ormuz segue com fluxo reduzido, impactando o comércio de energia e revisões do FMI para baixo de crescimento e para cima de inflação.

Para o Fed, a dúvida não é apenas sobre cortes, mas se haverá alta de juros novamente. Relatórios de bancos sinalizam riscos de que choques de oferta na energia tragam pressão inflacionária persistente.

Analistas destacam que a situação geopolítica pode reforçar a cautela da autoridade monetária. O Fed tende a sinalizar abertura para aperto se os dados próximos mostrarem aceleração da inflação, especialmente no núcleo.

A projeção de cortes para 2026 foi revisada. Expectativas indicam início no segundo semestre de 2026, com cortes de 0,25 ponto percentual apenas se a inflação recuar com consistência e sinais de desaceleração do mercado de trabalho forem claros.

Perspectiva de mercado

Dados do FedWatch apontam maior probabilidade de manutenção ou alta até que haja confirmação de arrefecimento inflacionário. A primeira queda pode ocorrer apenas na reunião de dezembro de 2027, segundo a leitura atual.

O economista Rodolfo Margato vê cortes em 2026 como improváveis sem ajuste real da inflação. Já equipes de patrimônio destacam que o ritmo dos cortes depende de evidências de desaceleração da inflação, especialmente no núcleo do PCE.

No cenário atual, o clima de incerteza alimenta cautela entre investidores. A comunicação do Fed deve manter opções abertas, com foco em dados de inflação e emprego para guiar o ritmo de aperto ou acomodação.

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