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Limitações do Brasil podem virar vantagem competitiva em IA dizem especialistas

Especialistas dizem que disciplina financeira no Brasil pode tornar startups de IA mais sustentáveis, freando a bolha nos EUA

Thiago Kapulskis, sócio e gestor do fundo global de tecnologia da São Pedro Capital, Camila Vieira, sócia e diretora para o Brasil da gestora global QED Investors, e Henrique Ferreira, sócio da DGF Investimentos durante o Fórum The AI Economy Brazil, realizado pela Sólides em parceria com a Bloomberg Línea (Foto: Bloomberg Línea)
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  • Em evento Fórum The AI Economy Brazil, em 28 de abril, especialistas discutem que limitações do Brasil podem virar vantagem competitiva em IA, frente à possível bolha nos EUA.
  • Thiago Kapulskis, da São Pedro Capital, afirma que os critérios de financiamento para startups de IA mudaram desde o boom anterior e podem afetar a rentabilidade.
  • O Brasil pode se beneficiar pela disciplina de custos e capital mais caro, exigindo clareza sobre como as empresas vão ganhar dinheiro a longo prazo.
  • Camila Vieira, da QED Investors, destaca que pequenas e médias empresas nacionais chegam ao ciclo da IA fragilizadas por juros altos, tributação e mudanças regulatórias, mas vê potencial para uma “Stripe brasileira”.
  • O setor financeiro lidera o desenvolvimento de IA no Brasil, com Itaú, Nubank, Banco do Brasil e Mercado Livre buscando soluções internas; o Itaú mostrou ganho de desempenho de 40% em testes, e há expectativa de vantagem competitiva na infraestrutura de computação, segundo Henrique Ferreira, da DGF Investimentos.

O que aconteceu: especialistas afirmam que limitações financeiras do Brasil podem virar vantagem na IA, reforçando disciplina de investimento que pode frear bolha semelhante à observada nos EUA. O tema foi discutido no Fórum The AI Economy Brazil, promovido pela Sólides com apoio da Bloomberg Línea, em São Paulo.

Quem está envolvido: participação de Thiago Kapulskis, sócio da São Pedro Capital, que compara o otimismo atual com a bolha das pontocom; Camila Vieira, sócia da QED Investors, que aponta fragilidades de pequenas e médias empresas no ciclo; Henrique Ferreira, sócio da DGF Investimentos, que ressalta vantagens brasileiras em energia e regulação.

Quando e onde: o debate aconteceu nesta segunda-feira (28), durante o Fórum The AI Economy Brazil, realizado pela Sólides em parceria com a Bloomberg Línea, em São Paulo.

Por que: a tese central é que o financiamento para startups de IA tem indicadores diferentes do ciclo anterior, o que pode impactar a lucratividade de negócios com altas avaliações. A disciplina de custo no Brasil poderia impor controle que faltaria às empresas americanas.

Disciplina de custo favorece negócios brasileiros

Kapulskis sustenta que a falta de clareza sobre como startups vão lucrar a médio prazo é um risco no atual ciclo. Segundo ele, muitas empresas não demonstram modelos de monetização sólidos, ao contrário do que ocorreu com Google e Amazon no passado.

A visão do executivo aponta para uma oportunidade doméstica: capital escasso pode impor disciplina financeira às startups brasileiras, potencializando práticas de negócio mais sustentáveis frente à euforia global.

Desafios para captação e competição internacional

Vieira destacou que empresas menores sofrem com juros altos, incerteza tributária e mudanças regulatórias, o que reduz a capacidade de investimento. Além disso, o financiamento global enfrenta competição com companhias americanas que aceleram rapidamente.

Apesar dos obstáculos, Vieira afirmou que há espaço para que novidades disruptivas surjam no Brasil, citando o exemplo da Stripe como referência de inovação que pode inspirar novas empresas no país.

Papel do setor financeiro e infraestrutura de energia

O debate também enfatizou o protagonismo de instituições como Itaú, Nubank, Banco do Brasil e Mercado Livre no desenvolvimento de soluções de IA, em contraste com a postura mais cautelosa de grandes bancos norte-americanos. Citado desempenho de testes internos com ganhos significativos em grandes instituições.

Henrique Ferreira ressaltou que o Brasil tem vantagens estruturais no setor de energia, com regulação do setor elétrico e energia renovável, abrindo espaço para infraestrutura de computação. Segundo ele, o país pode desempenhar um papel estratégico em modelos fundacionais.

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