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Uso do FGTS para quitar dívidas pode ampliar endividamento, dizem especialistas

Especialistas alertam que o Desenrola 2.0 pode reduzir dívidas a curto prazo, mas ampliar inadimplência futura ao reabrir crédito com uso do FGTS

Desenrola 2.0 pode criar vetor para endividamento no Brasil, dizem analistas
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  • O governo deve anunciar ainda nesta semana o Desenrola 2.0, permitindo que trabalhadores usem recursos do FGTS para quitar dívidas.
  • Especialistas apontam risco de efeito rebote: ao limpar o cadastro, o consumidor pode voltar a usar crédito e aumentar limites, elevando o endividamento.
  • Dados indicam endividamento das famílias em quarenta e nove vírgula nove por cento e cerca de 27,5 milhões de pessoas inadimplentes recorrentes, com dívida média de R$ 1,1 mil.
  • O cenário envolve juros altos: Selic em 14,75 por cento e rotativo do cartão com juros acima de 400 por cento ao ano, o que pressiona o custo do crédito.
  • Regras conhecidas do Desenrola 2.0 incluem público-alvo de trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos, descontos de 20% a 90% e redução de taxas de refinanciamento abaixo de 2% ao mês, com uso do FGTS limitado a até 20% do saldo; governo calcula liberar cerca de R$ 7 bilhões.

O governo prepara a segunda versão do Programa Desenrola Brasil, conhecida como Desenrola 2.0, com anúncio previsto para esta semana. A medida permitirá que trabalhadores usem recursos do FGTS para quitar dívidas, conforme confirmação do ministro da Fazenda, Dario Durigan, na tarde de segunda-feira (27).

Especialistas avaliam que a medida pode gerar efeito rebote: ao quitar dívidas, o indivíduo volta a ter o nome limpo em cadastros de crédito e volta a ter acesso a crédito. A preocupação é que o endividamento retorne pouco tempo depois, sem o FGTS como reserva.

O que se sabe sobre o Desenrola 2.0

O governo mostrou diretrizes iniciais do programa, destinado a trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos. O uso do FGTS ficará limitado a até 20% do saldo disponível.

Pontos-chave informados incluem descontos entre 20% e 90% sobre o valor das dívidas. Além disso, bancos se comprometeriam a reduzir taxas de refinanciamento para abaixo de 2% ao mês, com garantia do Tesouro Nacional.

O público-alvo esperado envolve até cerca de 10 milhões de brasileiros, segundo informações divulgadas pelo Ministério do Trabalho. A implementação será gradual, começando pelas pessoas físicas.

Impactos, custos e perspectivas

Analistas destacam que o endividamento da população segue elevado, com a inadimplência e os juros ainda altos no crédito. No curto prazo, a liberação de recursos pode estimular consumo, mas há preocupação com a sustentabilidade do benefício.

Economistas divergem sobre o efeito no longo prazo: há risco de novas dívidas surgirem rapidamente, principalmente para quem não possui poupança ou ativos. A necessidade de educação financeira continua sendo apontada como medida complementar essencial.

Dados recentes indicam que a inadimplência recorrente envolve milhões de pessoas e dívidas médias em torno de 1,1 mil reais. Mesmo com crédito mais acessível, o custo financeiro permanece elevado para o consumidor.

Contexto econômico

A taxa básica de juros está em 14,75%, com expectativas de cortes limitados na próxima reunião do Copom. Juros do rotativo do cartão de crédito seguem elevados, dificultando a renegociação para muitos inadimplentes.

Especialistas ressaltam a importância de uso criterioso do crédito diante de um cenário de inflação pressionada e câmbio volátil. A recomendação comum é priorizar planejamento financeiro e educação financeira.

Fontes públicas indicam que o governo pretende destinar recursos significativos ao Desenrola 2.0 e ampliar o apoio a milhões de brasileiros, com o objetivo de reduzir o peso de dívidas excessivas sem desaquecer a economia.

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