- Modelos de endowments existem há décadas e vêm ganhando espaço entre family offices, com Harvard e Yale como exemplos, que administram bilhões de dólares para sustentar as instituições a longo prazo. Yale tem US$ 44 bilhões sob gestão, retorno de 11,1% em 2025; Harvard, US$ 57 bilhões, retorno de 11,9%.
- A carteira típica de endowment distribui o capital em 25% ações, 50% ativos alternativos (private equity, venture capital e hedge funds), 10% ativos reais (imóveis e infraestrutura), 10% renda fixa e 5% outros.
- Vantagens apontadas incluem custo de implementação até 1% menor, melhoria na relação risco-retorno com diversificação global e maior perenidade, além de acesso a opções de investimento em private markets.
- No Brasil, os principais entraves são culturais, barreira linguística e o tamanho do mercado, com apenas uma pequena parcela do patrimônio gerido fora do private banking.
- A adoção depende do quanto de capital perpétuo a família possui; para patrões acima de centenas de milhões, é viável sustentar gerações, enquanto perfis com necessidade de liquidez imediata tendem a não se encaixar.
Há duas certezas no mercado financeiro: a diversificação reduz o risco e um horizonte longo tende a ampliar retornos. Quem comenta é Felipe Nobre, fundador e CEO da Jera Capital, sobre o modelo de endowments aplicado a family offices.
O texto apresenta o modelo de endowment, fundos patrimoniais perpétuos ligados a universidades. Harvard e Yale são exemplos famosos, criados a partir de doações para financiar gastos ao longo de gerações. O patrimônio é investido para sustentar a instituição indefinidamente.
Segundo a Jera Capital, um endowment típico investe cerca de 25% em ações, 50% em ativos alternativos, 10% em ativos reais, 10% em renda fixa e 5% em outras fontes. O objetivo é combinar retorno estável com proteção de longo prazo.
Vantagens do modelo
O custo de implementação pode ficar até 1% menor que o de bancos tradicionais, por eliminar intermediários. A diversificação internacional pode elevar o retorno nominal, mantendo o mesmo nível de risco. A estratégia prioriza ganhos acima de CDI sem aumentar o risco.
A concentração em ativos privados, como private equity e real estate, é comum em 70% dos portfólios de endowments. Esses ativos oferecem maior potencial de retorno, porém requerem relações institucionais e acesso restrito.
A perenidade do portfólio, aliada a custo reduzido e diversificação global, tende a tornar a carteira mais resistente a ciclos econômicos domésticos.
Desafios no Brasil
O principal obstáculo é cultural: muitas famílias maduras mantêm o uso de private banks tradicional. A barreira do idioma complica operar com contratos e relatórios em inglês ou outros idiomas. O tamanho do mercado também limita a expansão dessa abordagem.
No Brasil, estima-se que haja cerca de 40 mil famílias com patrimônio acima de R$ 20 milhões. Aproximadamente 5% a 6% desse total é gerido fora do private banking, segundo as informações do setor.
A quem a estratégia se dirige
A estratégia não é universal. Famílias com patrimônio superior a centenas de milhões de reais pode sustentar várias gerações com menos de 1% do patrimônio anual. Já quem está em fase de geração de liquidez pode não se encaixar no modelo por necessidade de liquidez imediata.
A implementação envolve transformar o conceito em prática gerencial para novas gerações. Uma tática adotada é apresentar aos herdeiros palestras e visitas a endowments e gestores internacionais, ampliando o espírito institucional.
Perspectivas e atuação
A transferência do conceito para o Brasil envolve maior busca de adoção entre famílias de alta renda, com planejamento de longo prazo. Ferramentas tecnológicas ajudam a reduzir barreiras de comunicação e facilitar a gestão global.
Entre na conversa da comunidade