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Copom reduz Selic diante da desconfiança da indústria e cautela do mercado

Corte de 0,25 p.p. para 14,50% é recebido com cautela; indústria afirma que o alívio é insuficiente para ampliar investimentos

Presidente da Fiesp, Paulo Skaf (foto) disse que a redução de apenas 0,25 p.p. “parece encenação"
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  • O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, indo para 14,50% ao ano, conforme expectativa do mercado.
  • O tom do comunicado foi recebido com sobriedade por analistas e com resistência pelo setor produtivo.
  • Economistas apontam deterioração das projeções de inflação e risco de interrupção do ciclo de afrouxamento se os dados não melhorarem.
  • Representantes da indústria criticaram a magnitude do corte, dizendo que a taxa ainda é alta e insustentável para a economia.
  • Em setores como construção, avaliações destacam que juros elevados continuam sendo entrave a investimentos e crédito.

O Copom confirmou a expectativa de mercado ao cortar a Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, elevando a taxa para 14,50% ao ano. O movimento ocorreu em meio a projeções de inflação mais mornas e a percepção de que o ciclo de afrouxamento pode perder fôlego diante de riscos geopolíticos e fiscais.

Apesar do recuo, o tom do comunicado foi visto de forma contida por analistas e de forma crítica pelo setor produtivo. Economistas destacam que a deterioração das projeções inflacionárias pode frear novas reduções, mantendo o aperto monetário no curto prazo.

Representantes da indústria lamentaram que a queda seja modesta. A Fiesp, pela voz do presidente Paulo Skaf, avaliou que a redução de apenas 0,25 p.p. parece mais uma encenação do que um sinal concreto de mudança estrutural. A visão é de que a taxa de juros ainda está elevada frente à inflação.

Entidades setoriais enfatizaram que o patamar atual desafia investimentos. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção apontou que, embora positiva, a redução não resolve o peso do custo financeiro. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais reiterou impactos negativos sobre crédito, competitividade e decisões de investimento.

Ajuste no ciclo

Economistas destacam que o comunicado reforça a piora das projeções e sinaliza possível continuidade do ajuste, desde que os dados relativos à inflação se mantenham sob controle. Observadores veem o cenário como mais restritivo, com foco adicional em impulsos externos.

Especialistas também ressaltam que o mercado já esperava o recuo, mas a comunicação foi considerada cautelosa. Analistas de investimentos sugerem que o BC precisa monitorar impactos de tensões geopolíticas e da conjuntura fiscal na trajetória da inflação e do crescimento.

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