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Rial atinge mínima histórica e revela reflexos da guerra no Irã

Rial atinge mínimo histórico de 1,81 milhão por dólar, reflexo da guerra, sanções e décadas de má gestão econômica, com inflação e risco social crescente

Nota de rial (Atta Kenare/AFP/VEJA)
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  • O rial atingiu 1,81 milhão por dólar no mercado paralelo, queda de cerca de quinze por cento em dois dias, refletindo a guerra e a gestão econômica do Irã.
  • A desvalorização não começou com o conflito; desde junho do ano passado o rial já havia perdido valor, com inflação de alimentos atingando picos altos e preços de itens básicos subindo muito.
  • Em janeiro houve queda abrupta e protestos; o governo criou uma taxa de câmbio subsidiada para itens essenciais, além de emitir uma nota de 10 milhões de riais, a maior já vista.
  • A guerra interrompeu parte das importações e, após um período de aparente estabilidade, a demanda por dólares voltou a subir, pressionando o rial.
  • O FMI previa retração econômica em torno de seis por cento em 2026; o país enfrenta risco de colapso da moeda e possível agitação social, com recursos disputados entre importação imediata e reconstrução industrial.

O rial iraniano atingiu nesta quarta-feira 29 a cotação mais baixa desde a criação da República Islâmica, em 1,81 milhão de riais por dólar no mercado paralelo. A queda de 15% em dois dias reflete uma crise econômica grave associada à guerra, já em curso desde 28 de fevereiro.

A desvalorização não surge apenas dos bombardeios, mas de décadas de gestão econômica problemática. Em 12 meses, a inflação de alimentos disparou, elevando-se a 64% em outubro e a 105% em fevereiro, com itens básicos subindo acima de 140% e óleos e gorduras quase dobando de preço.

Desde janeiro, a situação se agravou, levando protestos e uma crise política alimentada pela volatilidade cambial. O governo lançou medidas de controle de câmbio e subsídios emergenciais, além de emitir uma nota de 10 milhões de riais, a maior da história, cuja validade equivalia a cerca de 7 dólares.

Desempenho da economia e escolha de prioridades

No início do conflito, o rial se estabilizou por efeito indireto: comércio paralisado, bloqueio marítimo e queda acentuada de demanda por divisas. Com a retomada incerta, a demanda por euro e dirhams aumentou, pressionando novamente o rial.

Para conter a situação, o governo mantém uma taxa de câmbio subsidiada de 285.000 riais por dólar para itens essenciais, com teto de 3,5 bilhões de dólares. Ao mesmo tempo, retirou mais 1 bilhão de dólares do Fundo Nacional de Desenvolvimento para alimentação básica.

Impactos sociais e industriais

A retirada de recursos do fundo também alimenta tensões entre uso imediato e reconstrução industrial. Da mesma forma, trabalhadores de aço e petroquímica denunciam demissões, salários atrasados e suspensão de benefícios, sinalizando uma pressão econômica mais ampla.

Entre os 87 milhões de nacionais contemplados por vouchers de subsídio alimentar, o poder de compra do benefício foi corroído pela inflação, tornando-os cada vez menos eficazes.

Perspectivas e riscos

A guerra interrompeu as exportações de petróleo, principal fonte de divisas, e aumenta a vulnerabilidade econômica. O FMI já previa contração de 6,1% para 2026, com inflação em torno de 69%. O cenário indica risco de desvalorização acelerada da moeda e possível agitação social.

O rial a 1,81 milhão por dólar evidencia não apenas o efeito da guerra, mas também décadas de má gestão econômica, sanções externas e isolamento financeiro. Para o regime, o desafio econômico pode representar o front mais perigoso.

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