- Copom reduziu a Selic para 14,5% pela segunda vez, mantendo a atratividade da renda fixa, com destaque para títulos pós-fixados e atrelados à inflação.
- Pesquisadores do mercado dizem que a estratégia de alocação não muda muito: pós-fixados seguem como prioridade para perfis conservadores; IPCA para perfis moderados.
- Projeção Focus aponta IPCA de 4,86% para 2026; o centro da meta é 3%, com tolerância de até 1,5 ponto.
- Em termos de retorno, o Tesouro Selic com vencimento em 2028 pode oferecer retorno real líquido próximo de 7,04%, já descontando IR e inflação projetada; prefixados seguem como opção mais arriscada.
- A renda variável pode ganhar espaço no ciclo de queda de juros, mas com cautela; cenário fiscal, eleitoral e volatilidade da inflação ainda pesam sobre a Bolsa.
A decisão do Copom de reduzir a Selic para 14,5% continua favorecendo a renda fixa, com destaque para títulos pós-fixados e atrelados à inflação. Especialistas avaliam que a atratividade de ativos atrelados à Selic ou ao CDI permanece alta mesmo com o novo corte.
Segundo analistas, a continuidade do ciclo de queda da taxa básica ainda favorece quem busca menor volatilidade. Aplicações que acompanham a inflação também mantêm retorno em patamar elevado, mesmo em cenário externo conturbado.
Marcelo Freller, estrategista do C6 Bank, aponta que a alocação não muda drasticamente com a nova redução. Para investidor conservador, os pós-fixados seguem atraentes; para o moderado, títulos IPCA ganham espaço diante da inflação esperada.
O Boletim Focus aponta IPCA de 4,86% para 2026. A meta do Banco Central é 3%, com tolerância de 1,5 ponto, o que sustenta juros ainda elevados no curto prazo. A variação da inflação influencia decisões de investimento.
O petróleo próximo de US$ 100 alimenta cautela entre agentes. Freller afirma que o BC deve manter cortes de 25 pontos-base, desde que haja evolução da commodity, mantendo espaço para novas reduções.
Contexto externo, como a guerra no Irã, pressiona petróleo e inflação, levando bancos centrais a adotar postura mais comedida. As incertezas globais impactam a trajetória da Selic até o fim do ciclo.
Levantamento do C6 Bank mostra que o Tesouro Selic 2028 pode oferecer retorno real líquido de 7,04% em uma alocação de um ano, já descontando Imposto de Renda e inflação projetada. Dados ajudam na comparação entre copos de risco.
Rafael Winalda, especialista da Inter, reforça que os pós-fixados permanecem em patamares elevados. Mesmo com a Selic em torno de 13% no fim do ciclo, a média anual fica próxima de 14%, sustentando a preferência por these ativos entre conservadores.
Marcelo Mello, CEO da SulAmérica Investimentos, vê espaço para títulos atrelados à inflação. Ele comenta que taxas reais acima de 7,5% são estruturalmente insustentáveis, o que torna o IPCA+ uma relação risco-retorno interessante.
No Tesouro Direto, ofertas de IPCA com juros reais acima de 6,96% estavam disponíveis, com vencimento próximo de 2032 prometendo inflação mais juros. Prefixados geram incertezas devido à taxa definida no momento da compra.
Para perfis mais arrojados, Freller sugere ampliar a participação de prefixados, caso haja tolerância ao risco. Winalda, porém, adota cautela e evita prefixados longos diante da volatilidade da inflação brasileira.
Renda variável pode ganhar espaço ao longo do ciclo de queda de juros, mas o momento pede cautela. Nord Research aponta que IPCA+ continua, em muitos cenários, mais atrativo que a Bolsa por causar menor risco ao endividamento das famílias.
Winalda vê melhora gradual para a Bolsa no médio prazo, à medida que cortes de juros se intensificam. Acompanhando o ciclo, a busca por retornos maiores pode migrar parte do capital para ações, conforme o mercado se ajusta.
Mello destaca que queda de juros pode favorecer a estrutura de capital das empresas, elevando margens e lucro líquido. Ainda assim, a decisão por renda variável depende do perfil do investidor e do quadro fiscal.
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