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Vale cai quase 5% após balanço; guerra e custos pressionam ações

Ações da Vale caem quase 5% após balanço do primeiro trimestre de 2026, com lucro em alta, mas custos do minério e geopolítica pressionam o EBITDA

Foto: Vale/Reprodução
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  • Ações da Vale caíram 4,9% nesta terça-feira (29), a R$ 80,32, após divulgação do balanço do 1T de 2026, com leitura cautelosa do mercado.
  • Lucro líquido foi de US$ 1,9 bilhão no trimestre, alta de 39% frente ao mesmo período do ano anterior, com EBITDA ajustado proforma de US$ 3,9 bilhões (margem de 42%).
  • EBITDA ficou levemente abaixo do esperado pelos analistas, cerca de 3% abaixo do consenso, o que contribuiu para a pressão sobre as ações.
  • Custo caixa da divisão de minério de ferro subiu 12% yoy, para US$ 23,6 por tonelada, pressionado pelo câmbio e por efeitos macro, incluindo a alta do petróleo.
  • Fluxo de caixa livre de US$ 813 milhões no trimestre e dívida líquida de US$ 17,8 bilhões, com visão de longo prazo ainda positiva segundo analistas, apesar do choque de custos.

A Vale (VALE3) fechou o pregão com queda expressiva após divulgar o balanço do primeiro trimestre de 2026. As ações caíram cerca de 4,9%, para em torno de R$ 80,32, até as 10h45, em meio a uma leitura mais contida do mercado sobre os números.

Apesar de avanço operacional e lucro maior, analistas destacam pressão de custos agravada pelo cenário geopolítico, que inclui o conflito entre EUA e Irã, pesando sobre a reação dos investidores.

Resultados e destaques do trimestre

O lucro líquido ficou em US$ 1,9 bilhão no 1T24, alta de 39% frente ao mesmo período de 2025, revertendo prejuízo do trimestre anterior.

O Ebitda ajustado proforma foi de US$ 3,9 bilhões, com margem de 42%, alta de 21% anual, porém levemente abaixo do consenso, o que ajudou a pressionar as ações.

Para o BB Investimentos, o resultado foi positivo e alinhado às estimativas, com avanço operacional e preços médios mais fortes.

Custos do minério preocupam o mercado

O custo caixa C1 da divisão de minério de ferro subiu 12% na comparação anual, para US$ 23,6 por tonelada, devido à valorização do real e a efeitos macro ligados ao petróleo.

O Itaú BBA classificou o trimestre como ligeiramente negativo, destacando deterioração da dinâmica de custos e possíveis revisões de lucro em 2026.

Observou ainda o aumento do custo all-in e do breakeven do minério entregue à China, fatores sensíveis ao câmbio e ao petróleo.

Metais básicos ajudam a equilibrar

A divisão de metais básicos foi o principal destaque positivo, com Ebitda de US$ 1,2 bilhão, mais que o dobro de 2025, e margem de 50,2%.

O desempenho foi impulsionado por preços mais altos de cobre e níquel, além de ganhos operacionais e melhoria de custos.

O BB Investimentos apontou a Vale Base Metals como o principal ponto positivo do balanço; o BTG Pactual ressaltou a robustez da operação e a diversificação.

Fluxo de caixa e endividamento em pauta

O fluxo de caixa livre somou US$ 813 milhões, afetado pelo consumo de capital de giro e pelo pagamento de dividendos.

A dívida líquida expandida subiu para US$ 17,8 bilhões, ainda na meta, mas com trajetória de alta no curto prazo, segundo avaliações iniciais.

O BTG espera melhoria do quadro ao longo do ano, ainda que o trimestre tenha ficado abaixo do esperado nesse aspecto.

Perspectivas e recomendações

Analistas mantêm visão positiva de longo prazo, apesar da reação negativa no curto prazo.

BTG Pactual recomenda compra, com ADRs alvo de US$ 15. Itaú BBA mantém outperform, com alvo de US$ 19,50. BB Investimentos projeta R$ 89,00 e XP, neutra, em R$ 85,00.

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