- Bradesco BBI reduziu a recomendação de Hapvida (HAPV3) de compra para neutra e elevou o preço-alvo de R$ 19 para R$ 14, com o fim de 2026; o novo alvo implica potencial de alta de 19,1% sobre o último fechamento.
- Ações de Hapvida abriram o dia em queda, chegando a R$ 11,57 por volta das 12h, caindo 1,53%; a companhia acumula baixa de 21,5% no ano.
- os analistas citam resultados fracos, baixa visibilidade e valuation elevado como motivos para a revisão; a relação dívida líquida/ebitda é de 2,4 vezes.
- No 1T26, espera-se melhora na sinistralidade e na margem Ebitda, mas a base anual continua pressionada; a empresa deve registrar queima de caixa de R$ 65 milhões ligada a um acordo de R$ 200 milhões com o vendedor da NotreDame Intermédica.
- Para 2026 e 2027, o banco projeta margens de Ebitda de 8,5% e 9,4%, respectivamente, com recuperação ainda gradual devido à falta de alavancagem operacional e ao crescimento moderado de receitas.
O Bradesco BBI rebaixou a recomendação de Hapvida (HAPV3) de compra para neutra nesta quinta-feira. O preço-alvo foi reduzido de R$ 19 para R$ 14 para o fim de 2026, indicando potencial de alta de 19,1% sobre o último fechamento.
Na véspera, as ações fecharam em R$ 11,75. Hoje, por volta de 12h, caíam 1,53%, a R$ 11,57, entre as maiores quedas do Ibovespa. No acumulado deste ano, o papel acumula queda de 21,5%. Mudanças na gestão e movimentos da família fundadora pesam sobre o papel.
Pressão nos resultados e valuation elevado
Os analistas Márcio Osako e Larissa Monte apontam três fatores para a revisão: resultados fracos, baixa visibilidade e valuation esticado no curto prazo. A Hapvida negocia perto de 20 vezes P/L para 2026, acima do registrado pela Rede D’Or, em cerca de 16 vezes.
A alavancagem também preocupa. A dívida líquida soma 2,4 vezes o EBITDA. Segundo o banco, cada variação de 1 ponto percentual na margem pode impactar cerca de R$ 7 no preço-alvo.
O que esperar do 1T26
O BBI projeta melhoria gradual da sinistralidade e da margem Ebitda no primeiro trimestre, mas a base anual permanece pressionada. A Hapvida deve registrar queima de caixa de R$ 65 milhões, vinculada a um acordo de R$ 200 milhões com o vendedor da NotreDame Intermédica.
O banco também estima queda líquida de 70 mil beneficiários entre janeiro e março, o que contribui para o cenário de curto prazo.
Recuperação mais lenta à frente
Para 2026, o BBI prevê alta de 8,5% na margem Ebitda, subindo para 9,4% em 2027. Ainda assim, a recuperação deve ocorrer de forma gradual, sem alavancagem operacional expressiva, com crescimento de receitas moderado e resposta mais lenta a iniciativas comerciais no Sudeste.
Visão para o setor
O BBI mantém recomendação de compra para Rede D’Or (RDOR3) e Mater Dei (MATD3), citando melhor momento operacional. A instituição também vê viabilidade positiva para Dasa (DASA3) no curto prazo. Por outro lado, permanece cautelosa com Oncoclínicas (ONCO3) e Qualicorp (QUAL3) devido a desafios operacionais e de crescimento.
Entre na conversa da comunidade