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Dívida e governança reconfiguram seu equilíbrio

Aumenta a alavancagem redefine o papel do conselho, com credores ganhando protagonismo via covenants, impactando decisões e acesso a recursos

Fábio Coelho — Foto: Fábio Coelho
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  • A elevação da alavancagem reduz a liberdade das empresas, pois contratos e covenants delimitam a atuação da administração.
  • Credores ganham protagonismo conforme a qualidade de crédito deteriora, buscando previsibilidade de fluxos e preservação de garantias.
  • Coventants impõem limites de alavancagem, restrições à distribuição de dividendos e condicionantes para reorganizações, com mecanismos como vencimento antecipado ou renegociação automática em caso de descumprimento.
  • Casos no Brasil, como Americanas, Light, Oi, Raízen e Cosan, evidenciam que credores passam a influenciar decisões operacionais e trajetórias de reestruturação.
  • Em contextos de juros elevados, a governança depende mais de conhecer a base de credores; organizações como a OCDE e a International Corporate Governance Network defendem maior transparência e comunicação com investidores de renda fixa.

O aumento da alavancagem muda o modo como as empresas são monitoradas e redefine o papel dos conselhos de administração. Não é uma decisão dos acionistas, mas consequência de contratos que limitam a atuação da gestão.

Com isso, o credor ganha protagonismo à medida que a qualidade de crédito deteriora. Acionistas buscam valorização; credores priorizam previsibilidade de fluxos e garantias.

Essa divergência deixa de ser residual. A gestão precisa, além de retorno ao acionista, operar dentro de limites definidos em contratos e covenants. Vence a flexibilidade conforme as cláusulas.

O papel dos covenants e a prática de reestruturação

Cada emissão incorpora restrições específicas que acompanham a empresa. Limites de alavancagem e distribuição de dividendos passam a orientar decisões diárias.

Reforçam o quadro mecanismos automáticos, como vencimento antecipado ou renegociação compulsória, para evitar descumprimentos. O objetivo é reduzir o risco de crédito.

Casos brasileiros ilustram a evolução. Americanas, Light e Oi já tiveram credores influenciando decisões. Raízen e Cosan repetem esse modelo em estágios mais recentes.

Ainda assim, a base de credores costuma ser pulverizada, dificultando visão integrada. Estruturas complexas criam regras cruzadas e elevam custos de coordenação.

Implicações em momentos de estresse

Durante reestruturações, dívidas podem ser convertidas em participação acionária. Credores passam a ter presença direta no capital e, por vezes, sobre o controle estratégico.

Esse ambiente mistura papel de credor e acionista e eleva a dimensão de conflitos de interesse. A gestão precisa manter alinhamento com contratos para preservar acesso aos mercados.

Em nível internacional, OCDE e ICGN discutem maior transparência na gestão de compromissos contratuais e na comunicação com investidores de renda fixa. Direitos e obrigações da dívida ganham espaço regulatório.

Impacto em cenários de juros elevados

Em economias emergentes com juros altos, a alavancagem elevada reduz a discricionariedade dos conselhos. A forma de gerir essa relação impacta custo de capital e financiamento.

Para a governança, a mudança ocorre no processo decisório: decisões passam a nascer dentro de limites contratuais, não apenas no debate interno.

Conhecer a base de credores, acompanhar covenants e entender suas interações torna-se parte essencial da função do conselho. Evitar eventos de crédito assegura o acesso aos mercados.

Fábio Coelho, presidente-executivo da Amec, é a referência citada para interpretar esse movimento.

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