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Quem ganha e quem perde no Brasil com o acordo UE-Mercosul

Acordo UE-Mercosul reduz tarifas para mais de 5 mil itens, ampliando exportações e beneficiando agronegócio e indústria exportadora, com pressão sobre setores menos competitivos

Quem ganha e quem perde com o acordo UE-Mercosul — Foto: Arte/g1
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  • O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia começa a ser aplicado provisionalamente nesta sexta-feira, 1º, zerando tarifas para mais de 5 mil itens.
  • Mais de 80% dos produtos brasileiros com destino à UE passam a ter tarifa zerada já nesta etapa inicial, segundo a Confederação Nacional da Indústria.
  • Os ganhos no curto prazo devem ficar mais concentrados no agronegócio exportador e na indústria exportadora, com efeitos não uniformes entre setores e regiões.
  • No médio e longo prazo, a indústria que utiliza insumos europeus pode reduzir custos e ampliar competitividade, especialmente setores como química, farmacêutica, autopeças e máquinas e equipamentos.
  • Agrícola familiar e pequenos produtores, especialmente em queijos, vinhos e produtos artesanais, podem enfrentar maior pressão competitiva e precisam de apoio para se adaptar.

O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia começou a ser aplicado de forma provisória nesta sexta-feira, 1º. A implementação é gradual, mas já afeta as exportações brasileiras ao bloco europeu, com tarifas zeradas para milhares de itens.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos produtos enviados pelo Brasil ao bloco passam a ter tarifa zerada já nesta etapa inicial. Ao todo, são mais de 5 mil itens liberados sem imposto, ampliando o acesso ao mercado europeu.

Apesar de o Brasil ser o principal beneficiado, os efeitos não são uniformes entre setores e regiões. Estimativas apontam ganho positivo, porém limitado, entre 0,3% e 0,5% do PIB até 2040, com maior impacto em atividades ligadas ao comércio exterior.

Regiane Bressan, professora da Unifesp, aponta que o acordo amplia oportunidades, mas expõe fragilidades estruturais. Ela afirma que o benefício tende a favorecer quem já é competitivo e pressionar quem depende mais do mercado interno.

Ganhos no curto prazo

  • Agronegócio exportador: carnes de aves e suína, óleos vegetais, açúcar, etanol industrial e café não torrado aparecem entre os itens com maior potencial de expansão no mercado europeu.
  • Indústria exportadora: a eliminação de tarifas atinge principalmente bens industriais. Em 93% dos 2.932 produtos com tarifa zerada já na entrada em vigor, estão incluídos setores como máquinas e equipamentos, metalurgia, materiais elétricos, químicos e alimentos industrializados.

Para máquinas e equipamentos, quase 96% das exportações já entram sem tarifa, incluindo compressores, bombas e peças mecânicas.

Ganhos no médio e longo prazo

  • Indústria dependente de insumos europeus: redução gradual das tarifas pode diminuir custos de produção em setores como química, farmacêutica, autopeças, máquinas e equipamentos, além de setores de alta dependência tecnológica.
  • Exposição a custos mais baixos pode favorecer a competitividade no mercado interno, mediante investimentos, modernização e ambiente de negócios mais estável.

Quem enfrenta mais riscos

  • Indústria menos competitiva: setores voltados ao mercado interno podem sentir maior pressão de concorrência europeia, mesmo com prazos de redução de tarifas de 15 a 18 anos, principalmente no Sudeste.
  • Agricultura familiar e pequenos produtores: segmentos como queijos, vinhos e produtos artesanais podem enfrentar desafios perante a concorrência de produtos europeus subsidiados e produzidos em grande escala, exigindo adaptação rápida, crédito, certificações e políticas públicas de apoio.

Especialistas ressaltam que os efeitos variam por região e setor. O Centro-Oeste, com forte atuação em grãos e proteína animal, bem como parte do Sul, devem perceber impactos diferenciados devido à estrutura produtiva local.

Fontes: CNI, entrevistas com especialistas. O texto não cita fontes externas específicas além das mencionadas.

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