- Os preços do querosene de aviação na Europa passaram de 68,27 euros por barril em fevereiro para 153,84 euros no fim de abril, devido a ataques ao Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz.
- O combustível representa entre 25% e 50% das despesas operacionais das aéreas, e, sem hedge, as companhias podem enfrentar falência com a elevação contínua dos custos.
- A Europa tem estoque estimado em cerca de seis semanas; acredita-se que haja desabastecimento em breve, já que grande parte do querosene vem do Oriente Médio via Ormuz.
- Companhias aéreas adotam medidas para repassar custos: Air France-KLM dobrou a sobretaxa de longa distância; Lufthansa planeja cortar 20 mil voos de curta distância; SAS cancelará cerca de mil voos.
- A União Europeia discute acelerar medidas: A4E pede flexibilizar regras antitanqueamento e suspensão temporária do ETS; a Comissão lançou o plano AccelerateEU com monitoramento de estoques e coordenação entre Estados-membros.
O preço do querosene de aviação disparou na Europa após a escalada entre EUA, Israel e Irã, e o bloqueio do Estreito de Ormuz. O choque elevou custos operacionais das companhias e pode reduzir viagens de lazer de europeus. A volatilidade do combustível é o principal motor da alta.
Segundo dados da IATA, o barril de querosene na UE passou de 68,27 euros em fevereiro para 153,84 euros no fim de abril. O combustível representa entre 25% e 50% das despesas das aéreas, dependendo da empresa, o que aumenta o risco de insolvência sem hedge.
Especialistas apontam que há risco de desabastecimento em semanas. A Europa depende de cerca de meio milhão de barris diários vindos do Oriente Médio via Ormuz, hoje pouco utilizável debido aos bloqueios.
Algumas empresas já repassam custos aos passageiros. A Air France-KLM elevou a sobretaxa de longa distância de 50 para 100 euros, enquanto a Lufthansa anunciou cortes de voos de curta distância. A SAS confirmou cancelamentos de aproximadamente mil voos.
A indústria encara a piora do cenário. A4E, que representa 16 companhias, pediu à UE medidas temporárias para mitigar impactos, incluindo flexibilização de regras de abastecimento e suspensão temporária do ETS. O objetivo é atravessar a crise com mais estabilidade.
No setor, o Conselho Internacional de Aeroportos aponta que custos elevados podem afetar demanda e oferta, com impactos em aeroportos regionais. O grupo ressalta que, ainda assim, não há escassez de combustível generalizada no momento.
Comissão Europeia busca coordenação entre Estados-membros. A presidente Ursula von der Leyen destacou o aumento expressivo das importações de combustíveis e lançou o plano AccelerateEU para monitorar estoques de querosene e coordenar abastecimento.
Analistas ressaltam que há necessidade de observatórios de combustível e compras conjuntas para reduzir vulnerabilidades. Mesmo com esforços, persiste a incerteza de que a crise se estenda e afete o turismo europeu.
Exportadores rendem-se a restrições de exportação. A maior parte do querosene da AVI é refinada na Ásia, com a Coreia do Sul entre os principais fornecedores, mas o ritmo de exportação vem sendo limitado por fatores de oferta global.
Autoridades lembram que a preparação não deve veicular mensagens alarmistas. O comissário de Transporte Sustentável aponta que é essencial manter a confiança do consumidor, para evitar queda de demanda por viagens.
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