- A Gol pediu ao Cade para atuar como parte interessada no processo em que a Azul busca vender 8% de suas ações para a American Airlines.
- A operação é comparada ao acordo anterior entre a Gol e a American, que envolvia 5,31% do capital da Gol com direito a voto e assento no conselho, o que elevava o poder da parceira; hoje, a diferença está na forma de participação.
- A Gol sustenta que o acordo da Azul com a American pode ir além de um investimento financeiro e quer que o Cade realize um market test amplo antes de decidir sobre a legitimidade do investimento.
- A American já tinha direito a veto sobre passos estratégicos da Gol e indicava um representante no conselho, segundo documentos arquivados na Comissão de Valores Mobiliários.
- O IPSConsumo também pediu para atuar no processo, mencionando possível gun jumping e impactos no mercado, dado o peso das grandes aéreas dos Estados Unidos naaviação brasileira.
A Gol pediu ao Cade para atuar como parte interessada no processo em que a Azul busca autorização para vender 8% de suas ações para a American Airlines. A operação já foi aprovada para a United, em operação similar, pela autoridade antitruste brasileira. A Gol teme que o acordo com a American não seja apenas um investimento financeiro passivo.
A aérea brasileira, controlada pelo grupo Abra, pediu ao Cade que a empresa possa apresentar estudos, notas técnicas e pareceres sobre a operação e seus impactos concorrenciais. Além disso, pretende que o Cade participe de um market test amplo e detalhado antes de decidir pela legitimidade do investimento da American na Azul.
Bola dividida
Historicamente, a Gol já teve um acordo semelhante com a American. Em 2022, a companhia norte-americana investiu US$ 200 milhões na Gol, valor que era o dobro do que a Azul receberá agora. A diferença está na forma: ações ordinárias com direito a voto na Azul, e preferenciais na Gol.
Na Gol, porém, havia um acordo de acionistas que dava à American veto sobre decisões estratégicas. Documentos da Gol na CVM mostram que a participação da American equivalia a 5,31% do capital, com direito a voto em todas as assembleias. A American também teria um representante no conselho da Gol.
Recuperação e cenários
No ano passado, a Gol buscava aporte de recursos para sair da recuperação judicial nos EUA, com projeção de US$ 1,8 bilhão. A American apareceu como potencial investidora, mas o aporte na Gol não ocorreu; a American investiu na Azul, em outra operação similar. Uma fusão entre Azul e Gol já foi discutida, mas não se realizou.
Procuradas, Abra, controladora da Gol, e a Azul não comentaram. A Abra afirmou que não vai se manifestar sobre o caso. A Azul também não se posiciou publicamente.
Participação de consumidores e mercados
O IPSConsumo, órgão de defesa de consumidores, quer atuar como interessado no processo da Azul. A entidade aponta indícios de gun jumping, prática de consumar fusão antes da aprovação do Cade, o que, se confirmado, pode sujeitar as empresas a sanções.
As três maiores companhias dos EUA atuam com operações no Brasil em conjunto com outras parceiras. Hoje, Delta, American e United têm relações com empresas nacionais, ampliando a relevância de movimentos regulatórios no setor. A Azul, por sua vez, mantém acordos de codeshare com diversas parceiras.
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