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Pesquisa mapeia relações financeiras entre brasileiros

Open finance mostra: metade tem sessenta e cinco relacionamentos; a média é de cento e vinte e nove, e cinco por cento concentram milhares

Quantos relacionamentos financeiros você tem? Pesquisa mapeou conexões entre brasileiros — Foto: Getty Images
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  • Metade das pessoas tem 65 relacionamentos financeiros, e a média é de 129, envolvendo 10 milhões de brasileiros e 83 milhões de pessoas.
  • 5% registram no mínimo 2 mil conexões cada uma, chegando a mais de 8 mil em alguns casos; os demais, 95%, têm em média 23 relacionamentos.
  • Os dados foram coletados por meio de open finance para mapear como as pessoas se relacionam financeiramente entre si, considerando cada interação como uma transação entre dois indivíduos.
  • Do total de conexões, 73% são únicas, sem repetição entre os mesmos pares, sugerindo uma rede econômica ampla e interconectada.
  • O estudo aponta que o efeito em cascata de maior inserção econômica pode influenciar políticas de crédito e regulamentação, especialmente ao considerar renda e despesas de trabalhadores informais.

A pesquisa da Klavi aponta que metade das pessoas possui 65 relacionamentos financeiros, mas a média chega a 129. O levantamento, baseado em dados de open finance, revela que 10 milhões de brasileiros interagem com um total de 83 milhões de pessoas. O motivo é a atuação desigual da economia entre indivíduos.

Concentrados em uma pequena parcela da população, os chamados conectores econômicos realizam o maior volume de interações. Cerca de 5% das pessoas registram pelo menos 2 mil conexões cada, com casos que chegam a mais de 8 mil relacionamentos. Os outros 95% têm, em média, 23 relacionamentos por pessoa.

Para o estudo, foram usadas transações reais via open finance, para mapear como as pessoas se relacionam financeiramente entre si. Cada vínculo representa uma interação econômica entre dois indivíduos, como transferências ou pagamentos, não apenas uso de crédito.

Entre os dados, 73% dos relacionamentos identificados são únicos, sem repetição entre pares. A análise indica que um ponto da rede com mais dinheiro pode provocar um efeito cascata de benefícios para outras pessoas envolvidas.

Isso implica entender a renda e as despesas recorrentes, que ajudam a compor a capacidade de pagamento — o dinheiro disponível no fim do mês para arcar com compromissos, como parcelas de empréstimos. O objetivo não é usar essas conexões como variável de crédito.

A dinâmica também evidencia a importância da economia informal. Transações entre pessoas físicas, como Pix entre trabalhadores informais, ficam mais visíveis com o open finance, ampliando o acesso financeiro apesar de a renda não figurar em bureaus tradicionais.

Essa visão mais ampla altera o foco da análise de crédito: não apenas a renda em si, mas a rede de relações que sustenta a renda e as despesas. Reguladores podem ter uma noção maior dos impactos de expansão de crédito a partir dessas redes.

Perfil de alta conectividade envolve profissionais como médicos, advogados, freelancers, educadores e comerciantes com grande base de clientes, além de casos em que um mesmo CPF é utilizado por diferentes pessoas, como famílias ou pequenos negócios.

Do ponto de vista metodológico, a mediana de 65 vínculos por pessoa, aliada a modelos estatísticos, permite compreender como 2,3 milhões de indivíduos se conectam indiretamente a 54 milhões de pessoas por meio de suas relações econômicas.

Bruno Chan, cofundador da Klavi, afirma que o sistema financeiro funciona como uma grande rede interligada, onde transações entre pessoas físicas conectam diversas camadas da economia. O conceito reforça o papel de dados alternativos na avaliação de crédito.

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