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30 anos do Pronaf e desafios do Plano Safra 2026

Pronaf completa trinta anos enfrentando concentração de crédito e regional, exigindo transição para práticas regenerativas e alinhamento com o Plano Safra 2026

Programa de crédito para agricultura familiar completa 30 anos com críticas à concentração de recursos e à dependência de cadeias produtivas tradicionais.
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  • O Plano Safra de 2026 deve ser lançado nos próximos meses, com possíveis avanços incrementais ou mudanças mais ousadas diante de mudanças climáticas e geopolíticas.
  • O Pronaf, Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, completa trinta anos em 2025 e é visto como instrumento-chave para crédito e participação em mercados.
  • O acesso ao crédito é concentrado, atingindo entre um e um milhão e meio de agricultores, em um universo de quase quatro milhões de estabelecimentos familiares.
  • Há concentração regional dos recursos, com foco histórico no Sul e expansão recente no Nordeste ainda pouco acompanhada de assistência técnica.
  • O crédito tem favorecido cadeias já consolidadas por grandes corporações (aves, suínos, fumo, soja, milho), ressaltando a necessidade de transformar bases técnicas e incentivar práticas regenerativas e diversificação produtiva.

Nos próximos meses deve ser lançada a versão 2026 do Plano Safra, principal programa de investimentos para a agricultura no Brasil. As medidas podem seguir avanços incrementais ou sinalizar mudanças mais ousadas diante do clima e de mudanças geopolíticas.

Entre os instrumentos do Plano Safra, o Pronaf se destaca. Mais que um segmento, a agricultura familiar carrega significado ético e político neste país com histórico de latifúndio. O Pronaf mudou regras de crédito e ampliou mercados.

Em 2025, o Pronaf completou 30 anos. Porém, persistem três problemas estruturais que impactam seu alcance e impacto: concentração no acesso, concentração regional e foco em cadeias já consolidadas. Esses pontos limitam o potencial transformador.

Pronaf em 30 anos: avanços e entraves

Acesso ao crédito continua concentrado: estima-se que entre 1 milhão e 1,5 milhão de produtores sejam atendidos, frente a quase 4 milhões de estabelecimentos familiares no país. A maioria permanece fora do sistema.

A região Sul concentra recursos há décadas, embora haja avanços no Nordeste. Mesmo com expansão recente, a assistência técnica nem sempre acompanha o crédito, elevando o risco de endividamento.

O perfil produtivo financiado favorece cadeias controladas por grandes empresas, como aves, suínos, fumo, soja e milho. Isso reforça dependência tecnológica e limita diversificação para agricultores familiares.

A soma desses problemas aponta para um desafio maior: a agricultura familiar, especialmente nos elos já integrados ao mercado, não funciona como alternativa ao modelo dominante. Solos e ecossistemas sofrem com fertilizantes e pesticidas.

A dependência externa de insumos aumenta diante de crises globais e guerras. Produtores perdem margem, consumidores elevam custos e o país assume maiores riscos em setor estratégico da economia.

Chama-se, então, para além do crédito: promover transformação técnica do sistema agroalimentar. Surgem oportunidades com práticas regenerativas, diversificação produtiva, bioinsumos e fortalecimento de economias locais.

A ideia é promover redes de fornecedores que reduzam a dependência de grandes grupos. O Pronaf precisa ser redesenhado, com coordenação entre políticas e o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia.

A continuidade da agricultura familiar depende de superar o produtivismo que restringe seu potencial. O desafio é alinhar crédito a mudanças técnicas que tornem o setor mais sustentável e mais resistente a choques externos.

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