- BCE mantém cautela diante do choque energético, evitando reações rápidas demais para não prejudicar o crescimento.
- Cenário base aponta inflação da zona do euro em 2026 de 2,6%, com petróleo em 90 dólares no segundo trimestre; cenário extremo prevê petróleo a 145 dólares e inflação de 6,3% em 2027.
- Mercados aguardam até três altas do BCE neste ano; o Euribor já subiu para 2,747% em abril.
- Goldman Sachs considera que a crise atual é global e de menor impacto que a de 2022; S&P ressalta ainda vulnerabilidades na cadeia de suprimentos.
- Nos Estados Unidos, a Reserva Federal manteve as taxas; analistas avaliam que, se a energia permanecer pressionando, pode haver cortes no fim do ano, conforme avaliações de mercado.
O BCE manteve a ressalva diante da escalada dos preços de energia provocada por fatores geopolíticos, evitando mudanças abruptas na política monetária. Christine Lagarde, presidente do BCE, sinalizou cautela ao lidar com a inflação que deve permanecer elevada no curto prazo, sem abandonar a meta de crescimento.
A inflação na zona do euro tem sido pressionada pelo aumento do petróleo e de seus derivados depois do fechamento do estreito de Ormuz. O BCE avalia cenários que vão desde inflação moderada até pressões mais fortes, sem descartar ajustes futuros caso o quadro evolua de forma desfavorável para o crescimento.
Estrutura de cenário e perspectivas
Analistas estimam dois a três aumentos de juros neste ano, embora haja divergência sobre a magnitude. Goldman Sachs projeta impactos menores da crise energética atual em relação a 2022, com efeitos menos persistentes para a produção europeia.
As divergências entre estratégias regionais aparecem entre EUA e Europa. Enquanto o BCE observa uma inflação que pode superar a meta, o Federal Reserve manteve a taxa estável, com expectativa de ajustes somente caso a inflação reforce o derretimento do crescimento.
A visão de gestores globais diverge sobre o ritmo de aperto. Pimco aponta que o espaço para reajustes é limitado se a energia continuar pressionando preços sem impulsionar o crescimento, o que tende a moderar o ciclo de alta.
Desdobramentos no mercado e próximos passos
O euríbor respondeu às expectativas de alta, refletindo a tendência de aumentos de juros no curto prazo. O cenário é de incerteza quanto à duração do choque energético e seu efeito sobre a inflação ao longo de 2026 e 2027.
Nos Estados Unidos, a taxa básica segue entre 3,5% e 3,75%, com o mercado avaliando a possibilidade de recortes no fim do ano caso o crescimento não se recupere e a inflação recue. A próxima rodada de decisões deverá considerar impactos do conflito regional e da energia.
A expectativa é de que o BCE reavalie as perspectivas na próxima reunião caso haja deterioração adicional do cenário, mantendo a comunicação voltada à preservação do crescimento sem perder o controle da inflação.
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