- O soldado ucraniano Vadym Lietunov, de Odessa, ficou duas semanas em um abrigo subterrâneo após uma mina cair sobre a toca, deixando o colega Sasha morto e o abrigo sob ameaça constante.
- O soldado russo Nikita, inicialmente inimigo, passou a dividir o abrigo com Lietunov; os dois chegaram a trocar comida e água, e Lietunov usou estratégias de manipulação para manter a confiança.
- Ameaças intensificaram-se com drones e minas, incluindo uma explosão de um drone com mina antitanque que devastou a saída e deixou ambos desorientados.
- Enquanto Nikita sofria com fome, sede e oscilações de humor, Lietunov tentou manter a situação sob controle e sugeriu que o prisioneiro fosse tratado conforme a Convenção de Genebra para facilitar a sobrevivência.
- No desfecho, Nikita rendeu-se, entregou o rádio e, ao serem resgatados pela coluna ucraniana, Lietunov recebeu tratamento para o pé com gangrena; o russso foi levado pela SBU para eventual troca de prisioneiros.
Vadym Lietunov, soldado ucraniano, sobreviveu a dois meses de intenso bombardeio após encontrar uma posição protegida que não sabia pertencer ao inimigo. Ele estava abrigado em um buraco com outro soldado quando ataques com drones kamikaze e morteiros começaram.
As primeiras ofensivas ocorreram logo após a chegada dele à linha de frente, com bombas diárias que duravam de seis a sete horas. Após cada ataque, os dois lutadores improvisavam para apagar incêndios e recompor o abrigo com sacos de argila, mantendo-se vivos.
Em fevereiro, operadores russos recorreram a táticas novas, incluindo minas anti-tanque associadas a drones Molniya que explodiam junto à entrada. Em uma dessas ações, o abrigo ficou sem teto, ferindo os dois ocupantes e, no rescaldo, Sasha perdeu as pernas.
O encontro inusitado
Após um novo ataque de drone, Lietunov percebeu que a sobrevivência dependeria de fugir e se aproximar de uma posição fortificada entre as árvores. Ao se aproximar, encontrou um soldado russo dentro de um abrigo, que o convidou a entrar. O encontro revelou uma dupla sobrevivência improvável no front.
O soldado russo, identificado como Nikita, ordenou que Lietunov entrasse e disse que não atiraria. O prisioneiro mostrou um crucifixo de madeira que carregava, prometendo libertação no dia seguinte, promessa que não se cumpriu. O Ukrainiano revelou que havia lido psicologia na juventude e passou a tentar entender o captor.
Durante semanas, os dois dividiram refeições muito escassas sob condições precárias. Nikita, que descreveu a vida com pouca comida, passou a ter momentos de oscilações extremas, alternando entre hostilidade e riso, mantendo Lietunov em alerta constante. O prisioneiro recebia ração diária limitada e água obtida de poços de chuva.
O desfecho e as consequências
Para manter a calma, Lietunov percebeu que precisava agir com estratégia. Ao parecer, Nikita não esperava ajuda de ninguém e acabou cedendo após semanas de tensão. Quando uma ofensiva rápida de Ucranianos surgiu, os dois depostos saltaram para uma viatura blindada, ainda com o abrigo parcialmente intacto.
De volta aos comandos, Lietunov foi recebido com alívio. A brigada 118ª confirmou sua sobrevivência, enquanto Nikita foi entregue às autoridades ucranianas e permanece sob custódia, possivelmente para troca de prisioneiros. Lietunov segue em tratamento médico após perder um dedo do pé.
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