- Bancos centrais mantêm as taxas inalteradas, mas passam a atuar com “espera ativa” e maior disposição para aperto futuro na política monetária.
- No Federal Reserve, três dirigentes foram contrários ao viés de queda, com dissidência inédita em décadas; o voto de Stephen Miran pelo corte também foi registrado.
- No Bank of Japan, seis votos defenderam a manutenção da taxa de depósito a 0,75%, enquanto três dirigentes pediram aumento.
- No Bank of England houve divergência, com um dirigente favorável ao aumento já; no Banco Central Europeu não houve dissidência na decisão, mas houve sinalizações de aperto futuro.
- Mercados mantêm chance de alta no BoJ, BoE e BCE em junho; para o Fed, há possibilidade de alta neste ano, estimada em 7,7%, com maioria de manter as taxas até dezembro em 80,5%.
Na semana em que os principais bancos centrais se reuniram, o mercado passou a perceber uma postura mais pronta para aperto monetário, mesmo sem elevações imediatas. A ideia é de que as decisões atuais seguem com taxas estáveis, mas com uma orientação mais atenta a riscos inflacionários.
Analistas destacam o conceito de espera ativa, usado para descrever colegiados que mantêm juros, porém sinalizam disposição para agir caso a inflação se mantenha alta. O tom não é hawkish total, mas há dissidências relevantes em diversas instituições.
No Federal Reserve, três dirigentes se posicionaram contra o viés de queda das taxas e, somados ao voto de um dissidente que favorecia cortes, resultaram na maior dissidência em 34 anos. A leitura é de maior cautela diante de dados de inflação.
O presidente Jerome Powell indicou, em suas falas, que o comitê pode estar perto de mudar a orientação e se mover em direções diversas. Economistas ressaltam que esse cenário alimenta apostas de estabilidade das taxas até o fim de 2027, com risco de alta futura.
No BoJ, a votação manteve a taxa de depósito em 0,75%, porém houve seis votos pela manutenção contra três por ajuste, revelando tensões entre manutenção e aperto. No BoE houve divergência similar à de minutos anteriores, com sinal de aumento já neste ciclo.
No BCE, não houve dissidência na decisão, mas integrantes já indicaram favoráveis a aperto nos próximos meses. Especialistas destacam que, entre europeus, a probabilidade de elevação de juros no curto prazo é alta para junho.
Segundo Marcos De Marchi, economista-chefe da Oriz Partners, o conflito prolongado e choques de petróleo fortalecem a percepção de inflação ascendentes na zona do euro e no Reino Unido. Ele aponta diferenças em relação aos EUA quanto aos objetivos de inflação.
As curvas de juros indicam possibilidade de alta no BoJ, BoE e BCE para junho, enquanto o Fed mantém a aposta majoritária de manter as taxas estáveis até dezembro. O mercado prevê, ainda, uma pequena chance de alta neste ano para o Fed funds.
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