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Guerra reduz demanda de passageiros e cargas das aéreas em março, diz IATA

Guerra no Oriente Médio reduz demanda internacional por voos e carga; Brasil lidera crescimento doméstico em março, segundo a IATA

Avião da Qatar Airways estacionado no terminal de cargas da American Airlines no Aeroporto Internacional JFK, em Nova York – 02/03/2026 (Foto: REUTERS/Bing Guan)
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  • A demanda global de passageiros, medida em RPK, subiu dois vírgula um por cento em março ante março de 2025, mas cresceu oito por cento quando considerado apenas o mercado fora da zona de conflito.
  • A capacidade total, medida em assentos‑quilômetro oferecidos, caiu um vírgula sete por cento; o fator de ocupação ficou em 83,6%.
  • A demanda internacional caiu zero vírgula seis por cento, com a capacidade recuando seis vírgios dois por cento e o fator de ocupação em 84,1%; a queda foi liderada pelas companhias do Oriente Médio, com 60,8% a menos de demanda.
  • O Brasil destacou‑se, com crescimento de dez vírgula oito por cento no RPK e alta de oito vírgula sete por cento na ASK doméstica.
  • No transporte de carga, a demanda global caiu quatro vírgula oito por cento; internacional teve recuo de cinco vírgula cinco por cento, e a capacidade caiu quatro vírgula sete por cento (internacional, queda de seis vírgula oito por cento).

O enfrentamento entre EUA, Israel e Irã afeta a demanda de passageiros e de cargas das companhias aéreas em março. Segundo a IATA, a métrica de quilômetros pagos por passageiro (RPK) subiu 2,1% na comparação com março de 2025, puxada pelo mercado interno, mas caiu quando há exposição ao Oriente Médio em conflito. Se desconsiderados os países em zona de conflito, o aumento chega a 8%.

A capacidade total medida em assentos‑quilômetro oferecidos (ASK) recuou 1,7% na comparação anual. O fator de ocupação ficou em 83,6%, 3,1 pontos percentuais acima de março de 2025. Já a demanda internacional teve recuo de 0,6% frente ao mesmo mês do ano anterior, com capacidade 6,2% menor e ocupação de 84,1%.

A liderança negativa no tráfego internacional ficou com as companhias da região do Oriente Médio, que registraram queda de 60,8% na demanda frente a março de 2025. A capacidade caiu 56,9%, e o fator de ocupação ficou em 67,8%, (-6,6 p.p. frente a março de 2025). A guerra na região explica o fechamento de parte do espaço aéreo.

No total, o crescimento global da demanda é atribuído ao desempenho doméstico, que avançou 6,5% frente a março de 2025. A capacidade doméstica subiu 5,6%, mantendo o fator de ocupação em 83,0% (alta de 0,7 p.p. diante de 2025).

Brasil aparece como destaque positivo, com alta de 10,8% nos RPKs, ficando atrás apenas da China (13,7%). A ASK doméstica brasileira cresceu 8,7%, também abaixo da China, que teve +13,1%. O desempenho ajuda a atenuar a queda global em tráfego internacional.

No setor de carga, a demanda global recuou 4,8% ante março de 2025, com quedas mais acentuadas nas operações internacionais (-5,5%). A capacidade caiu 4,7% (-6,8% nas rotas internacionais). O Oriente Médio também liderou as quedas nesse segmento, com demanda 54,3% menor ano a ano.

Regiões como Europa‑Oriente Médio, Europa‑América do Norte e Europa‑Ásia contribuíram para o desempenho fraco das rotas de carga, com quedas que chegaram a 58,6% em alguns trechos. América Latina e Caribe registraram ganho de 1,8% na demanda de carga, com capacidade 5,1% maior.

Willie Walsh, diretor‑geral da IATA, destacou que o preço e a oferta do querosene continuam sendo a principal preocupação. Segundo ele, a alta no custo do combustível pode ser repassada aos preços das passagens, impactando o comportamento de viagem no curto prazo.

A IATA aponta ainda que, apesar da pressão de combustível, o tráfego de março mostrou resiliência, e o verão no Hemisfério Norte é visto como período geralmente movimentado. Reguladores podem precisar flexibilizar slots para compensar restrições de capacidade e eventuais rampas de combustível.

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