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Mercado de máquinas agrícolas sofre com juros e preços baixos de grãos

Mercado de máquinas agrícolas recua com juros altos e queda de preços de grãos; produtores optam por tratores menores e mais baratos, comprimindo faturamento

Luis Felli, head global da Massey Ferguson e vice-presidente sênior da Agco, na Agrishow, em Ribeirão Preto
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  • O mercado de máquinas agrícolas sofre com juros altos, preços baixos de grãos e câmbio, levando produtores a comprar tratores menores e mais baratos.
  • A Agrishow de Ribeirão Preto registrou queda de 25% nos negócios em relação a 2025; o valor financeiro deve cair mais que o total de unidades vendidas.
  • Em termos nominais, o evento deixou de movimentar pelo menos R$ 3,2 bilhões, enquanto houve R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios.
  • No primeiro trimestre, as vendas internas de máquinas caíram 13,1% em relação ao mesmo período de 2025, para 9.800 unidades, segundo a Anfavea.
  • A Massey Ferguson anunciou linhas de tratores menores (35 e 45 cavalos) e projeta a estreia de máquinas movidas a etanol em 2028, com custos semelhantes aos modelos a diesel.

O mercado de máquinas agrícolas recua diante de juros altos, preços baixos de grãos e incertezas internacionais. A queda impacta compras de tratores e colheitadeiras, especialmente nas regiões de grande produção de grãos. A avaliação é de Luis Felli, head global da Massey Ferguson e vice-presidente da Agco, durante a Agrishow em Ribeirão Preto.

Ele estima queda entre 5% e 8% no mercado neste ano, com o tíquete médio agravando o recuo. Máquinas maiores perdem mais espaço, enquanto modelos menores podem ter queda menor ou estável em alguns segmentos, como o café.

Na feira, o valor financeiro das negociações recuou ao menos 3,2 bilhões de reais, frente a 11,4 bilhões em intenções de negócios. Hoffências apontam retração semelhante na Tecnoshow, em Goiás, com queda de 30%.

No primeiro trimestre, as vendas internas de máquinas agrícolas somaram 9.800 unidades, 13,1% abaixo de igual período de 2025, segundo a Anfavea. A produção de queijos não foi citada; a meningação foca na demanda por equipamentos menores.

Entre os fatores que pesam sobre o setor, estão a importação de fertilizantes, o preço do diesel, a taxa básica de juros e o real valorizado. O dólar alto e a inflação comprimem o poder de investimento do produtor.

Ainda assim, a Agrishow anunciou uma linha de crédito de 10 bilhões de reais com juros inferiores a 10%, anunciada por Geraldo Alckmin. Há ressalvas sobre a clareza de acesso e credenciamento de bancos públicos como o BB.

A Massey Ferguson apresentou tratores menores (35 e 45 cv) voltados à agricultura familiar, solução buscada para ampliar o portfólio. Há expectativa de chegar ao etanol como opção ao diesel em 2028, com investimentos de 4,5% a 5% do faturamento global.

O objetivo é ampliar a longevidade das máquinas por meio de testes em campo e laboratórios. A empresa também trabalha na adaptação de motores para etanol, mantendo custo próximo aos modelos a diesel.

Felli defende que a descarbonização é inevitável, mas ressalta a importância da segurança energética global frente a conflitos. He observa potencial de redução de até 30% no consumo com motores Ecopower e transmissão CVT.

O uso de biodiesel no abastecimento é visto como estratégico para o Brasil, ampliando o conteúdo de mistura para cerca de 30% a 32%. O setor acredita que esse mix sustenta o peso do agronegócio na matriz de máquinas.

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