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Atacarejo alerta sobre impacto do endividamento no consumo e no setor

Endividamento reduz consumo da base de renda e freia o setor de atacarejo; apostas online são apontadas como fator adicional, com propostas regulatórias

30 de abril é data tradicional para o acerto de contas no prazo-safra
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  • Endividamento das famílias está em níveis recordes, e o consumo, especialmente entre a renda mais baixa, vem sendo pressionado.
  • O atacarejo é principal canal de abastecimento alimentar no país e representa 76% dos lares e 52% do varejo alimentar moderno; faturamento das 24 redes associadas foi de R$ 369,5 bilhões em 2025.
  • No quarto trimestre de 2025, o varejo moderno subiu 4% no volume, enquanto o pequeno varejo caiu 9,6%.
  • Apostas online somaram 2,7 bilhões de acessos mensais entre maio e junho de 2025; propostas incluem bloqueio de URLs, restrições ao Pix, responsabilização de plataformas e limite de publicidade.
  • A Abaas defende agenda em dois horizontes: ações imediatas em 12 meses para conter apostas ilegais e publicidade; ações estruturais em 5 a 10 anos inspiradas no combate ao tabagismo, para estimular o consumo entre quem mais precisa.

A Abaas, associação que reúne atacadistas de autosserviço, alertou sobre o impacto do endividamento das famílias no consumo e no desempenho do setor de atacarejo. O documento foi apresentado ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, na segunda-feira, 4. A entidade afirmou que a renda dos brasileiros está sendo comprometida e que a economia precisa de medidas para retomar o consumo.

Segundo a Abaas, o atacarejo é um indicador precoce de mudanças no orçamento doméstico, antes mesmo de aparecerem nas estatísticas oficiais. O setor é apontado como o principal canal de abastecimento alimentar do país, presente em 76% dos lares e responsável por 52% do varejo alimentar moderno. Em 2025, as 24 redes associadas chegaram a um faturamento de R$ 369,5 bilhões.

A entidade cita dados do Banco Central, da CNC e da Serasa para afirmar que endividamento e inadimplência atingiram níveis recordes. O relatório aponta uma divisão no padrão de consumo, com o chamado efeito K se aprofundando: alta renda em expansão e baixo renda em retração.

Para a Abaas, no quarto trimestre de 2025 o varejo moderno teve alta de 4% em volume, enquanto o pequeno varejo caiu 9,6%, segundo NielsenIQ. A queda do consumo da baixa renda, segundo a associação, não pode ser explicada apenas pelos preços dos alimentos, já que itens básicos like arroz, leite, açúcar e feijão ficaram mais baratos em 2025.

A organização também destacou o avanço das apostas online. O material cita 2,7 bilhões de acessos mensais a plataformas regulamentadas entre maio e junho de 2025 e aponta para o mercado ilegal e o fluxo de recursos via Pix direcionados a apostas. A Abaas defende restrições mais amplas ao mercado de apostas, especialmente no ambiente digital.

Propostas e perspectivas

Entre as medidas, a Abaas defende bloqueio de URLs, restrições a chaves Pix associadas a bets ilegais, responsabilização de plataformas por anúncios de sites não autorizados e limitações à publicidade de cassinos online. A entidade reconhece avanços do Desenrola 2.0, lançado pelo governo, mas aponta alcance parcial, com benefícios como descontos em dívidas e uso de parte do FGTS, porém deixando milhões sem proteção.

A organização sugere uma agenda em dois horizontes: ações imediatas nos próximos 12 meses para conter apostas ilegais, reduzir publicidade de cassinos online e estabelecer um teto progressivo para o consignado; e ações estruturais em 5 a 10 anos, inspiradas na política de combate ao tabagismo, incluindo campanhas nacionais, advertências obrigatórias e tratamento da ludopatia pelo SUS.

Para a Abaas, o tema deixou de ser apenas econômico e passa a ter dimensão de saúde pública. A entidade encerra destacando que a economia só volta a girar com o consumo das famílias que mais precisam.

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