- O FMI aponta crescimento do Brasil de 2,3% em 2025, com desaceleração esperada entre 1,9% e 2% em 2026; o ritmo mundial deve ficar em torno de 3,1%.
- O Brasil caiu para 11ª maior economia em 2025, tendo sido ultrapassado pela Rússia; no ranking de crescimento, ocupa a 39ª posição entre 50 economias no último trimestre de 2025.
- Entre 1980 e 2025, o PIB per capita global subiu 675%, enquanto o brasileiro avançou 428%, aumentando a diferença em relação ao restante do mundo; desde 2015, a renda brasileira fica abaixo da média global.
- Mesmo com o salário mínimo a R$ 1.621 em 2026, a cesta básica não retornou aos níveis pré-pandemia; inflação de alimentos e serviços reduz o poder de compra, mantendo o consumo sob pressão apesar do baixo desemprego.
- Desafios estruturais persistem: produtividade estagnada desde os anos noventa, investimentos em infraestrutura e tecnologia abaixo do necessário, e juros projetados em torno de 13% ao final de 2026 limitando crédito e consumo, com impacto maior nas PMEs.
O Brasil cresce, mas a passos mais lentos que o restante do mundo, segundo dados do Fundo Monetário Internacional. Em 2025, a economia avançou 2,3%, com previsão de 1,9% a 2% para 2026, ante 3,1% global. A desaceleração reduz a tração econômica.
A posição relativa do país também piora. Em 2025, o Brasil caiu para 11º entre as maiores economias, ultrapassado pela Rússia. No ranking de crescimento entre 50 países, o Brasil fica em 39º no último trimestre de 2025.
O efeito mais doloroso não está apenas nos números, mas no bolso do brasileiro. Entre 1980 e 2025, o PIB per capita global subiu 675%, enquanto o brasileiro avançou 428%, ampliando a distância em relação ao mundo. Desde 2015, a renda nacional fica atrás da média global.
Mesmo com o reajuste do salário mínimo para R$ 1.621 em janeiro de 2026, o poder de compra da cesta básica continua abaixo do nível pré-pandemia. A inflação, especialmente de alimentos e serviços, corrói o orçamento familiar. O desemprego, porém, permanece em níveis baixos.
Para as PMEs, o quadro é ainda mais desafiador. Maior custo de vida, menor capacidade de repasse de preços e margens pressionadas reduzem o giro e o crescimento. O ambiente de negócios permanece burocrático, com desequilíbrios fiscais elevando custos operacionais.
A política monetária também influencia o cenário. Com juros projetados em torno de 13% ao fim de 2026, o combate à inflação exige esforço, porém eleva o custo do crédito, limitando crédito, consumo e investimentos produtivos.
Desafios estruturais ajudam a explicar o panorama. Produtividade estagnada desde a década de 1990, aliada a investimentos deficitários em infraestrutura e tecnologia, sustenta o fraco ritmo de crescimento. A combinação afeta especialmente PMEs.
O retrato para 2026 aponta crescimento, mas insuficiente para reduzir a distância com economias mais dinâmicas. O consumo interno permanece sob pressão, exigindo maior eficiência, estratégia e produtividade para quem vende e produz no dia a dia.
Pelo menos, o cenário reforça a necessidade de medidas que tornem o custo de capital mais competitivo e acelerem ganhos de produtividade, para que o efeito sobre famílias e empresas seja mitigado.
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