- Brisanet arrematou o lote 2 (Norte/Nordeste) por R$ 6,3 milhões e o lote 3 (Centro-Oeste) por R$ 1,8 milhão; a Unifique ficou com o lote 4 (Sul) por R$ 3,4 milhões.
- Amazônia Serviços Digitais levou o lote 1 (Norte e São Paulo) por R$ 7 milhões; IEZ! Telecom ficou com o lote 5 (Sudeste, exceto SP e Triângulo) por R$ 4,4 milhões.
- O leilão foi classificado como não-arrecadatório, com outorgas mais altas previstas, mas investimento total estimado em cerca de R$ 2 bilhões para construção de infraestrutura.
- A frequência de 700 MHz permite maior cobertura, incluindo áreas rurais e interior de imóveis, e facilita vender serviços em bundle com fibra óptica para reduzir churn.
- Após o leilão, ações da Brisanet caíram 4,6% e as da Unifique recuaram 0,5%; analistas citam incerteza sobre como financiará entrada no Centro-Oeste e a alavancagem da empresa.
O leilão de faixas de 700 MHz, realizado hoje pela Anatel, premite uso de radiofrequência estratégica para redes móveis. Operadoras regionais venceram boa parte dos lotes, com Brisanet e Unifique assegurando posições relevantes. O certame foi marcado pela regra de não-arrecadatório, com outorgas relativamente baixas, porém com investimento expressivo previsto.
A Brisanet arrematou dois lotes: o 2, que atende o Nordeste, por 6,3 milhões, e o 3, que cobre o Centro-Oeste, por 1,8 milhão. A Unifique ficou com o lote 4, que atende o Sul, por 3,4 milhões. O lote 1, para Norte e São Paulo, foi conquistado pela Amazônia Serviços Digitais por 7 milhões, enquanto o lote 5, para o Sudeste (exceto SP e Triângulo Mineiro), ficou com a IEZ! Telecom por 4,4 milhões.
O investimento total previsto nas cinco faixas é de aproximadamente 2 bilhões de reais, destinados à construção de torres, antenas e equipamentos de rádio. O foco é levar telefonia móvel a regiões rurais e áreas próximas a rodovias, ampliando cobertura e qualidade de serviço.
Analista do setor destacou que o resultado é positivo para Brisanet e Unifique, com ganhos que se complementam às redes já existentes. A frequência de 700 MHz favorece cobertura ampla e melhoria de sinal dentro de prédios, fortalecendo a oferta de pacotes que combinam móvel e fibra óptica, reduzindo churn.
No cenário, Brisanet e Unifique já atuavam nesses territórios na etapa anterior do leilão de 2021, que concedeu uso da frequência de 3,5 GHz. Embora 3,5 GHz ofereça velocidades superiores, seu raio de alcance é menor. A frequência de 700 MHz amplia alcance e penetração em ambientes internos.
A primeira fase do leilão autorizou participação apenas de empresas com uso prévio da faixa de 3,5 GHz nessas regiões, o que levou a questionamentos judiciais por parte das grandes operadoras. TIM, Claro e Vivo ingressaram com mandado de segurança coletivo para suspender o certame, mas a decisão foi mantida após recurso da Brisanet.
Mercado reagiu com queda parcial das ações: Brisanet apresentou queda expressiva, enquanto Unifique caiu moderadamente. Analistas apontam incerteza sobre a forma de financiamento da entrada de Brisanet no Centro-Oeste e o impacto na alavancagem da empresa, que já encerrou o ano passado com dívida líquida de 1,6 bilhão de reais.
A estratégia de Brisanet inclui venda combinada de fibra e celular em bundle no Nordeste, o que pode reduzir cancelamentos entre serviços. Contudo, investidores aguardam esclarecer como a empresa financiará a expansão no Centro-Oeste, onde a presença não é ainda estabelecida. A Unifique, por sua vez, tem enfoque em regiões de menor presença das big telcos.
No balanço de mercado, Brisanet vale cerca de 1,2 bilhão de reais na bolsa, com o papel buscando manter ritmo diante de novos investimentos em telefonia móvel. A operação reforça a tendência de regionalização das redes no país, apoiada por leilões de faixas 700 MHz.
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