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Desenrola 2.0 pode reduzir inadimplência no curto prazo, diz Serasa.

Desenrola 2.0 pode frear a inadimplência no curto prazo, mas não resolve o endividamento estrutural nem os juros elevados que o sustentam

Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experia — Foto: Grabriel Reis/Valor
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  • Desenrola 2.0 pode oferecer alívio no curto prazo para a inadimplência, principalmente pela maior abrangência de renda e uso do FGTS, mas não resolve problemas estruturais.
  • A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, afirma que a medida tende a estancar a alta da inadimplência, não revertê-la.
  • O Brasil atingiu 82,8 milhões de negativados em março, o maior nível da série histórica, após 15 meses de alta.
  • O estoque elevado de dívidas ficou maior devido ao ciclo de expansão do crédito entre 2024 e meados de 2025 e aos juros elevados, pressionando a capacidade de pagamento.
  • A renegociação tem sido caminho principal de reorganização financeira; sem redução estrutural dos juros, a eficácia do programa tende a ser menor e a desaceleração econômica pode criar novos desafios.

O Desenrola 2.0 pode reduzir, no curto prazo, a alta da inadimplência no Brasil, segundo Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian. A avaliação é de que o programa atenua a piora, mas não resolve problemas estruturais do endividamento familiar.

Para a pesquisadora, o benefício imediato surge pela ampliação de renda elegível e pela possibilidade de usar o FGTS. No entanto, o efeito tende a ser temporário e não elimina a necessidade de reformas no longo prazo.

Segundo Abdelmalack, o cenário atual é mais desafiador do que em 2023. Em março, a Serasa registrou 82,8 milhões de pessoas com nomes incluídos em cadastros de inadimplência, o maior nível da série histórica.

Ela aponta estoque elevado de dívidas acumuladas nos últimos anos como responsável por pressões no pagamento. O ciclo de expansão do crédito entre 2024 e 2025, aliado a juros elevados, soma-se a esse desafio.

Dados da Serasa, com base em novembro de 2025, mostram que o comprometimento de renda varia entre 71,9% e 80,5% nas regiões do país, acima do indicador do BC, que ficou em 29,7% em fevereiro. Isso considera dívidas e despesas básicas.

A economista afirma que o crédito passou a desacelerar em meados de 2025, com retração principalmente nas modalidades de juros menores, diante do estoque de dívidas elevado. O resultado é maior dificuldade de reorganização financeira.

Renegociar dívidas tem sido a principal estratégia de recuperação financeira, mas a reinserção no crédito pode reacender o endividamento, sobretudo se os juros permanecerem altos.

Abdelmalack destaca que o problema estrutural é o nível elevado de juros no Brasil. Sem redução sustentável dos juros, o programa perde parte de sua efetividade.

Ela reaponta que, em cenário de desaceleração econômica, qualquer queda na renda pode trazer novos desafios para o endividamento das famílias, mesmo com reformas em curso.

Fonte: dados da Serasa Experian, com referência a novembro de 2025, e relatos de Camila Abdelmalack, economista-chefe.

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