- No Brasil, apenas 35% dos cargos de alta liderança são ocupados por mulheres, indicando desigualdade de visibilidade na gestão.
- No empreendedorismo, cerca de um terço das microempreendedoras brasileiras tem mais de 50 anos, associando maturidade à inovação.
- A maturidade é apresentada como ativo estratégico para resultados, inovação e construção de legados, segundo executivas ouvidas pela reportagem.
- Projeções demográficas indicam que, até 2050, 30% do mercado consumidor terá mais de 60 anos, ampliando a relevância de lideranças 50+.
- Especialistas destacam a importância de abrir espaço para líderes maduras, citando exemplos de Jeane Tsutsui, Egnalda Côrtes, Andréa Carvalho e Fernanda Chauvin como referências de liderança centrada em propósito e impacto.
No Brasil e no mundo, o debate sobre diversidade corporativa avança, mas a equidade ainda fica abaixo do esperado. Levantamento da Diversitera mostra que apenas 35% dos cargos de alta liderança no Brasil são ocupados por mulheres, entre 2022 e 2025. No empreendedorismo, o Global Entrepreneurship Monitor indica que cerca de um terço das microempreendedoras brasileiras tem mais de 50 anos, sugerindo que maturidade e inovação caminham juntas.
Especialistas apontam que a idade 50+ pode ser um ativo estratégico, não um entrave. A executiva Egnalda Côrtes, 52 anos, afirma que a experiência entrega visão ampla, disciplina emocional e capacidade de encerrar ciclos para abrir novos caminhos. A líder ressalta que o mercado precisa reconhecer esse potencial para manter a relevância e a inovação.
Jeane Tsutsui, 57 anos, CEO do Grupo Fleury, aponta ainda que poucas mulheres lideram companhias listadas no Ibovespa. Ela lembra que relatórios globais associam diversidade a maior flexibilidade e resultados financeiros em cenários incertos, defendendo espaço para líderes maduras. A opinião acompanha dados que reforçam esse ganho estratégico.
Andréa Carvalho, 58 anos, sócia-fundadora da Papel Semente, defende a importância de olhar para o público maduro como parte da estratégia de negócios. Ela destaca que pessoas com mais de 50 podem chegar aos 100 anos de atuação, ampliando o mercado consumidor e a longevidade empresarial. Carvalho reforça que liderança nessa faixa etária envolve escuta, clareza e empatia.
Fernanda Chauvin, 58, CEO da Ellementti Dermocosméticos, afirma que a menopausa não encerra a atuação profissional. Para ela, a maturidade confere clareza de objetivos e gestão centrada no humano, com foco em resultados e no desenvolvimento de equipes femininas. Chauvin ressalta que a liderança 50+ pode representar maior propósito e continuidade.
Insights de liderança madura
A prática de liderar aos 50+ é vista como tendência, não exceção, segundo Jeane Tsutsui. Ela observa que a longevidade muda a régua da experiência e que empresas que não acompanharem essa mudança perdem capital humano e oportunidades de entrega. A liderança madura, na visão dela, associa propósito, técnica e empatia.
Egnalda Côrtes introduz o conceito de matripotência, que transforma energia da maternidade em projetos e legados. Ela destaca que 2050 tende a trazer 30% do mercado consumidor com mais de 60 anos, o que aumenta a urgência de reconhecer a relevância de lideranças 50+. A executiva frisa que negar esse movimento é comprometer o desempenho estratégico das empresas.
Para Fernanda Chauvin, a chave é a clareza e o foco com propósito. Ela observa que mulheres 50+ costumam liderar com ênfase humana, cobrando quando necessário, mas mantendo o cuidado com as pessoas. A experiência da equipe é valorizada na gestão de pessoas e de projetos, segundo a executiva.
Andréa Carvalho reforça que a liderança 50+ une legado e reinvenção. Ela afirma que a diversidade etária deve compor a estratégia de negócio, com visão de futuro, e não ser tratada como favor. Carvalho defende que a maturidade traz liberdade para inspirar outras mulheres a buscar posições de liderança.
Conclusões do segmento
Ao combinar experiência, coragem e visão, mulheres 50+ aparecem como vetor de inovação em diferentes setores. A especificidade da atuação varia, mas o consenso aponta para resultados mais robustos em cenários desafiadores. O caminho refere-se a ampliar oportunidades, reconhecer competências e promover reformas que valorizem a diversidade etária nas lideranças.
Entre na conversa da comunidade