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Da quase ruína à receita de R$460 milhões: a inovação da Prática

Da crise energética aos 460 milhões de reais em venda anual, Prática reinventou fornos elétricos para gás no apagão, gerando economia de energia e rebates aos clientes

Luiz Eduardo (à esq.) e André Rezende, cofundadores da Prática — Foto: Divulgação
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  • A Prática começou fabricando estantes de aço e, com a crise energética de 2001, mudou para fornos elétricos mais eficientes; depois pivotou para linha a gás para sobreviver.
  • Em 2025, a empresa teve faturamento de R$ 460 milhões e projeta R$ 520 milhões neste ano; exporta para cinquenta países, tem filiais no Chile, Estados Unidos e Alemanha, e cerca de setecentos funcionários, com dez por cento dedicados à pesquisa e inovação.
  • Durante o apagão, foi criada uma linha de fornos a gás e um sistema bioenergético que alterna entre eletricidade e gás nos horários de pico; essa inovação gerou um rebate na conta de luz para clientes.
  • Há parceria com o Inatel para desenvolver tecnologia de transistor de estado sólido, substituto do magnetron na micro-ondas, com chegada prevista ao mercado entre 2027 e 2028 e economia de energia de vinte a vinte e cinco por cento.
  • A Prática, listada na B3, busca abrir capital na Bolsa de Madri, no segmento Growth, com expectativa de concluir ainda neste ano; mantém relação com a WEG e pretende fortalecer um ecossistema regional de inovação.

A Prática, empresa de equipamentos para negócios de alimentação, retomou o ritmo após quase ter entrado em ruína. Fundada por André e Luiz Eduardo Rezende, a companhia transformou sua linha de produção durante crises energéticas para atender a demanda do mercado com eficiência. A trajetória, marcada por pivôs, levou a companhia a faturar 460 milhões de reais em 2025.

Os irmãos criaram uma fábrica de estantes de aço em Pouso Alegre (MG) no início dos anos 1990, mas enfrentaram competitividade baixa. Um problema na padaria da família impulsionou a mudança para fornos elétricos mais eficientes. Durante o apagão de 2001, a resposta foi rapidamente adaptar-se para produzir fornos a gás.

No período de racionamento intenso, a Prática desenvolveu uma linha de fornos a gás que permitiram manter a produção. Segundo André Rezende, o exemplo mostra como a empresa transformou desperdícios em oportunidades, criando assim uma base de inovação que perdura.

Em 2025, a empresa consolidou receita de 460 milhões de reais e projeta 520 milhões neste ano. A Prática exporta para 50 países e mantém filiais no Chile, Estados Unidos e Alemanha. Hoje, cerca de 700 funcionários dedicam 10% do quadro a pesquisa e inovação, com foco em eficiência energética e redução de desperdícios.

A empresa afirma ter desenvolvido um sistema bioenergético que alterna automaticamente entre eletricidade e gás nos horários de pico. O sistema, exibido com lacre da Cemig, visa evitar que operadores modifiquem o funcionamento, gerando economia de energia para clientes e concessionárias.

Perspectivas de mercado

A Prática listou ações na B3 em 2015 e optou por abrir capital na Bolsa de Madri (BME Growth) para acessar mercados europeus. Segundo André, a abertura de capitais estrangeira foi estimulada pela receptividade do mercado europeu a empresas de porte médio e pela afinidade cultural com países de língua latina.

Parcerias com pesquisas são parte da estratégia. O acordo com o Inatel, em Minas, mira a tecnologia solid state transistor para substituir o magnetron na geração de micro-ondas, com comercialização prevista para 2027-2028. A expectativa é reduzir consumo de energia entre 20% e 25%.

A visão de longo prazo mantém o propósito de “comida de qualidade sem desperdício”. A diretoria ressalta a importância de um ecossistema regional de inovação, reunindo academia, empresa e poder público para gerar valor ao país.

Expectativa de futuro

A empresa busca consolidar-se como referência no setor de equipamentos para alimentação, buscando parcerias estratégicas e expansão contínua. A comparação com a WEG é citada como inspiração para a identidade da Prática, refletindo o objetivo de tornar a empresa um polo de inovação e eficiência energética.

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