- Christine Lagarde, presidenta do Banco Central Europeu, afirmou que riscos climáticos passaram a ter papel crescente na condução da política monetária.
- Eventos climáticos extremos podem pressionar preços ou reduzir a atividade econômica, impactando inflação e crescimento.
- O BCE já incorpora esses riscos e estima que o sistema de precificação de carbono ETS2 acrescentará cerca de 0,2 ponto percentual à inflação da zona do euro em 2028.
- Lagarde ressaltou a necessidade de a Europa reduzir a dependência de combustíveis fósseis e das importações energéticas, diante da alta nos custos de energia.
- A líder destacou que a transição energética é essencial para a estabilidade de preços e que o status quo é insustentável, com a energia importada representando cerca de 60% do consumo europeu.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que riscos climáticos e ambientais passaram a influenciar a condução da política monetária, com impactos relevantes, ainda incertos, sobre inflação e crescimento. A fala ocorreu na abertura da primeira conferência sobre clima, natureza e política monetária do BCE, em Frankfurt.
Segundo Lagarde, eventos climáticos extremos podem pressionar preços e reduzir a atividade econômica. Um episódio que interrompa a produção agrícola tende a elevar os preços dos alimentos e pode afetar a demanda agregada.
Ela citou que o BCE já incorpora riscos climáticos em suas projeções. O sistema de precificação de carbono ETS2 deve acrescentar cerca de 0,2 ponto percentual à inflação na zona do euro em 2028.
Contexto europeu e impactos previstos
A dirigente ressaltou avanços na integração de riscos climáticos à política monetária, mas apontou insuficiência no andamento global de combate às mudanças climáticas. A transição verde, afirmou, perdeu força e tornou-se tema ainda mais político.
Lagarde enfatizou a necessidade de maiores análises para orientar decisões econômicas. Também destacou que a transição energética é essencial para a estabilidade de preços, apontando que países com maior participação de energia não fóssil foram mais protegidos da alta do gás.
Ela apontou que o status quo é insustentável. A Europa importa cerca de 60% de sua energia, predominantemente fóssil, e a recente alta de preços evidencia essa dependência. Fontes alternativas de energia são apresentadas como caminho para segurança, sustentabilidade e acessibilidade.
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