- Em 2025, o volume de debêntures de saneamento somou R$ 44,7 bilhões, com R$ 11,4 bilhões emitidos apenas no primeiro trimestre.
- O saneamento passa a ser visto como uma opção de renda fixa, com durações médias de até cerca de 30 anos, e já é comparável ao mercado de rodovias em termos de volume de emissões.
- Desde 2020, aproximadamente R$ 202 bilhões em investimentos já foram contratados em 66 leilões, abrangendo cerca de 1.700 municípios para metas de universalização.
- O BNDES atua com garantias e há participação de IFC, Caixa (com recursos do FGTS) e outros para financiar novos projetos de água e esgoto.
- Os próximos leilões devem ocorrer em municípios, com o leilão da Paraíba previsto para 15 de maio e Porto Alegre, alvo estratégico, já com expectativa de leilão em 2027; o setor segue em expansão, sob mudanças regulatórias e necessidade de reequilíbrios contratuais.
Desde 2020, o saneamento ganhou espaço no mercado de capitais, com maior maturidade regulatória e demanda por recursos relevantes para universalizar serviços até 2033. Em 2025, as emissões de debêntures do setor somaram 44,7 bilhões de reais, segundo a Anbima, com 11,4 bilhões no primeiro trimestre.
O avanço ocorre em meio a leilões de água e esgoto e à entrada de investidores privados no setor. Analistas destacam que o saneamento já disputa com rodovias o título de alvo de renda fixa, frente a contratos de longo prazo e maior prazo de retorno, que pode chegar a 30 anos.
O BNDES figura entre os subscritores da garantia, contribuindo para a credibilidade dos títulos. Para Saulo Puttini, do Levy & Salomão Advogados, o setor ainda testa reequilíbrios contratuais, mas atrai capital privado com retorno atrativo frente ao risco.
Douglas Bassi, da Virtus BR Partners, afirma que o saneamento já é uma aposta de renda fixa, com debêntures de boas taxas e risco relativamente baixo, desde que se avalie o risco corporativo no conjunto das operações.
A Abcon aponta que, desde a aprovação do marco regulatório, aproximadamente 202 bilhões de reais foram contratados em 66 leilões, envolvendo quase 1.700 municípios e metas de universalização. O desembolso de 2024 atingiu 29 bilhões, recorde, +67% frente a 2020.
Ferreira, diretora técnica da Abcon, ressalta que grande parte do financiamento ainda depende de tarifas para empresas públicas, mas o mercado tem recebido aporte de privados via concessões, PPPs e capitais (incluindo IFC e Caixa, com FGTS). O papel do BNDES permanece central.
As fontes destacam a importância de novas linhas de financiamento para suportar o CAPEX elevado. O retorno esperado é mais demorado, o que torna essencial a segurança jurídica e a continuidade de garantias para evitar reprecificação de debêntures diante de revisões tarifárias.
A carteira de projetos da Abcon, até abril, soma 24 empreendimentos estruturados no governo federal, com investimentos previstos de 36,7 bilhões. O peso recai sobre contratos em 592 municípios, incluindo Porto Alegre, com leilão esperado para o primeiro semestre de 2027.
O leilão seguinte deve ocorrer na Paraíba em 15 de maio, com 25 anos de concessão e cerca de 3 bilhões de reais de investimento. São aguardados também projetos em Sergipe, Alagoas, Ceará e Rio Grande do Norte.
Ferreira avalia que o volume de grandes obras pode diminuir, mas há espaço para projetos municipais. A especialista aponta ainda a necessidade de aperfeiçoar normas da ANA e de uma reforma tributária, para apoiar o setor.
Puttini alerta que acelerar a análise de pedidos de reequilíbrio pode preservar o valor das debêntures, evitando reprecificação diante de revisões tarifárias. Entretanto, a expectativa é de maior padronização conforme o setor amadurece.
Para a Abcon, a velocidade de leilões não fugiu do esperado, em meio a uma transformação normativa marcada por avanços da universalização. O debate sobre segurança jurídica permanece central para o desempenho da renda fixa do saneamento.
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